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19 de junho de 2023

Historias Extrañas

 Acaba de ser publicado Historias Extrañas, tradução de meu primeiro livro para o espanhol, pela Babelcube.

Ele já está disponível nas seguintes livrarias, e logo também na Amazon em ebook e paperback.

9 de março de 2023

Peace and Love, Inc.


Com muita satisfação, apresento meu primeiro romance: Peace and Love, Inc.


Gosto de chamá-lo de uma estória de pós-amor pós-cyberpunk. Seria até seu subtítulo, se não fosse toda a discussão que encontrei sobre o que seria exatamente o pós-cyberpunk, em que não quis entrar.


Desde meu primeiro contato com o gênero cyberpunk, fui fisgado. Não sei o que ocorreu primeiro: se foi assistir Blade Runner, jogar Shadowrun no SNES, ou quando ganhei o complemento GURPS Cyberpunk. A partir de então, boa parte de minha imaginação e pessimis*COFF, COFF, realismo, concentrou-se em como seria o futuro com os avanços da tecnologia e o retrocesso da sociedade.


Em paralelo, como adorador de histórias, gosto muito de músicas que contam histórias, ou para as quais se imagina uma história facilmente. Quando ouvi o álbum Peace and Love, Inc., o meu favorito da banda Information Society, eu conseguia imaginar facilmente cenas de um filme futurista ao som da banda.


Sempre senti muita proximidade entre Information Society e o gênero cyberpunk, mas nunca encontrei muita gente identificando isso. Estranho.


Acelerando para tempos mais recentes, o amigo Lielson Zeni me contou de um projeto chamado Mojo Books, de textos escritos inspirados por músicas. Aquilo ficou na minha cabeça, me fazendo pensar: qual música me dava ideia para uma estória?


Então me lembrei não só de uma música, mas de um álbum inteiro.


Demorei pra pôr a ideia em prática, quando propus para mim mesmo o desafio: conseguiria criar uma estória que ao menos evocasse cada uma das canções do álbum, na ordem em que estavam, a ponto de eu poder usar seus nomes para os capítulos? 


Iniciei apenas em 2017, concluindo a primeira versão só em 2019. Apesar de terminado, não fiquei contente. Era, afinal, meu primeiro romance, e a concretização de uma ideia que fermentava na minha cabeça desde jovem.


Fiz uma imersão no gênero (que até vazou pro blog nesta, nesta e nesta postagem), estudos de tecnologia e toda uma experiência de processo criativo incluindo worldbuilding, detalhamento de perfis de personagens e mapa de estrutura cultural e narrativa. 


Estou confiante que consegui. Ao mesmo tempo, consegui aprender muito sobre o gênero, além de satisfazer vontades futuristas e ânsias distópicas, e inserir referências a granel.


Estou tão satisfeito com o resultado que já estou trabalhando em uma continuação. 


Espero que gostem! Bem-vindos ao século XXII!

1 de dezembro de 2022

Vida Feliz

A´ MINHA SOBRINHA WERASYLK


Entre as flores mimosas do jardim da Vida

E´s tu, simples botão a desabrochar.

Risonha esperança do bem, filha querida

Dos teus paes, e consolo do seu lar.


Não sabes o que é uma magua sentida

Nem desta vida as agruras avaliar.

Da inocencia trazes á fronte cingida,

A corôa da castidade alva como o luar!


Vives a melhor quadra da existencia

De carinhos e beijos sinceros construida

Sob um palio de estranha refulgencia.


Um ano apenas tens... Para ti se resume

Esta quadra feliz, pura, estremecida,

Num sonho de ouro bom repleto de perfume.


Out. 1932.


ARION WERNECK (meu avô)

"Diário da Tarde" (27/10/1932)

Sete de Setembro

Os antigos grilhões que nos prendiam

Foram-se aos poucos se desagregando,

E os olhos do povo, ávidos se abriam,

Ante uma nova aurora se esboçando...


Gritos unissonos os ares fendiam

Numa orgia incontida revoando.

Alegrias sem par vibrar faziam,

Almas irmãs num diapasão tamanho...


Desponta no horizonte brasileiro

O vulto varonil que traz a sorte,

De ser entre os primeiros, o primeiro


Que erguendo com bravura o braço forte

Mostrou ao mundo a fama de guerreiro,

Num grito só -- Independência ou Morte!


ARION WERNECK (meu avô)

"O Dia" (07/09/1958)

Brasil-Portugal

POR OCASIÃO DA VISITA DE SUA EXCLA. GEN. CRAVEIRO LOPES, PRESIDENTE DE PORTUGAL


Duas pátrias distantes, separadas

Pela grandeza imensa do oceano.

Mas hoje, mais do que nunca irmanadas

Pelo valor dum povo soberano!


Por seus filhos heróicos, muito amadas

Sem resquicio de inveja ou desengano,

Em épocas remotas, já passadas

Justas travaram pelo bem humano!


Pátria Mãe que rogaste com ternura

Pelo bem dêsse filho estremecido,

Vendo-o trilhar a senda da ventura...


Mereces êste amor retribuido

Essa dádiva carinhosa e pura,

Que sai dum coração reconhecido!


Junho, 1957

ARION WERNECK (meu avô)

"O Dia" (23/06/1957)