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30 de novembro de 2015

Annabel Lee


Inspirado por esta linda adaptação de Julian Peters (confira também esta de Greg Hinkle) do poema Annabel Lee, do imortal mestre Edgar Allan Poe, fiz minha própria tradução:

ANNABEL LEE
Edgar Allan Poe

Foi há muitos e muitos anos,
Em um reino à beira-mar, ali,
Viva uma donzela que você conheceria
Pelo nome de Annabel Lee; -
E esta donzela lá vivia sem nada pensar além
De amar-me e ser amada por mim.

Eu era uma criança e ela era uma criança,
Neste reino à beira-mar, aqui:
Mas nós amamos com um amor que era mais que amor -
Eu e minha Annabel Lee -
Com um amor por que os serafins alados no Céu
Cobiçavam dela e de mim.

E essa foi a razão porque, tempos atrás,
Nesse reino à beira-mar, aqui,
Um vento soprado de uma nuvem, gelando 
Minha bela Annabel Lee;
De modo que seus nobres parentes vieram
E levaram-na para longe de mim,
Para trancá-la em um sepulcro,
Neste reino à beira-mar, aqui.

Os anjos, nem à metade tão felizes no Céu,
Seguiram invejando a ela e a mim -
Sim! - Foi esta a razão (como todos os homens sabem,
Neste reino à beira-mar, aqui)
Que o vento veio de uma nuvem à noite,
Gelando e matando minha Annabel Lee.

Mas nosso amor era de longe mais forte que o amor 
Daqueles mais velhos que nós, aqui -
De muitos mais sábios que nós, aqui - 
E nem os anjos no Céu superior,
Nem os demônios no mar submergidos,
Poderiam algum dia minha alma cortar
Da alma da bela Annabel Lee: -

Pois a lua nunca raia, sem que sonhos me traga
Da bela Annabel Lee;
E as estrelas nunca nascem antes, que eu sinta os olhos brilhantes
Da bela Annabel Lee: -
E então, pela maré da noite toda, ao lado repouso
De minha querida - minha querida - minha vida e minha esposa,
Em seu sepulcro à beira-mar, ali -
Em sua tumba à beira do sonoro mar, ali.

10 de agosto de 2015

Lama: "Intruso" e "Mãe da Lua"

A última rodada da Revista Lama foi de minicontos, que coubessem na linha do tempo do Facebook, para acompanhar as ilustrações. Eu e vários -- bravos -- escritores aceitamos a tarefa subestimada de contar estórias com caracteres limitados, com o tema "Sótão".

Colaborei com dois contos: "Intruso", ilustrado por Isabele Linhares ...


... e "Mãe da Lua", ilustrado por Daniel Gonçalves.


Além disso, fiz uma página aqui no blog só de links para colaborações com a Lama. Clique aqui para vê-la, fiz um botão para ela, ali na barra da direita:

5 de maio de 2015

Cine Plaza


Havia escrito um conto intitulado "Plaza", sobre o Cine Plaza, o último cinema de rua de Curitiba, para algum concurso. Ficava na Praça Osório.
Uma página que gosto muito chamada "Curitiba Antiga", que traz fotografias e histórias de outrora de minha cidade, postou essa foto do interior do cinema em 1997.
Resolvi enviar o conto para a página, e eles o publicaram na postagem. Confiram:
http://curitibaantigamente.com/cine-plaza-na-praca-osorio-ano-1997/
Segue o conto na íntegra.

PLAZA

Era o último cinema de rua da cidade. Veio na sua inauguração, em 1964. O filme era “Moscou contra 007”. Com pai e mãe. Ainda estavam juntos, na época.
Nenhuma fila para a bilheteria. Chegou ao balcão e apoiou-se, suspirando. Sorriu nervoso para a atendente, enxugou o suor da testa. “Uma inteira pro filme das cinco”.
Foi o único cinema da cidade a passar “O Império dos Sentidos”, nos anos 70, o jornal dizendo que o filme era escandaloso. Não poderia haver melhor propaganda. Foi assisti-lo com uma namorada. Três anos depois, casou com a moça.
Andou, ou melhor, cambaleou até a porta de vidro, entregou o ingresso à senhora que também vendia pipoca e doces. “Tenha um bom filme”.
Era 1987, ele engordava mais a cada ano, a esposa também indo por esse caminho. Nunca estivera em fila tão grande, saía do cinema e atravessava a rua para dentro da praça que tinha na frente. A mulher irritada, reclamando a cada pouco. Mas o guri sorria de orelha a orelha. O filme era “Robocop”.
Respirava com dificuldade. Empurrou a pesada porta, deu três passos e teve que se apoiar na parede acarpetada. Engoliu em seco, e avançou tateando. Finalmente o escuro.
Em 92, encontrou o filho no hospital, a ex-mulher pálida no leito, com os olhos afundados. Saíram pai e filho juntos, conversando sem parar. Foram ver “O Exterminador do Futuro 2”. Despediram-se na entrada do cinema. Lembra de ter ficado de pé ali, sentindo uma tristeza absurda.
Dez anos passados. Cada passo era um desafio monumental. Não sentia os pés ou as mãos. Mas não precisava mais disfarçar seu sofrimento. O projetor já tinha começado a rodar, passavam os comerciais e trailers, as atenções estavam na tela, o som retumbante encobria seus gemidos.
Subiu três dos baixos degraus. Não conseguiu mais que isso. Virou-se e avançou uma, duas, três poltronas, e sentou-se. Ou melhor, largou todo o peso do corpo. Fechou os olhos, sorrindo, na sala escura, antes do filme rodar. Abriu os olhos com o começo do filme.
Estaria morto antes do título.

6 de abril de 2015

Arquivos de Guerra


Apresento com muito orgulho meu quarto livro, "Arquivos de Guerra". 

Inspirado em uma das minhas colaborações com a Revista Lama, fiz um livro inteiro de casos policiais com o mesmo protagonista, Márcio Guerra, ex-policial civil, que se alterna entre resolver casos, enganar seus clientes e punir os culpados.

Ele tem uma página própria com sinopse e uma página na Bookess, onde pode-se ler o livro gratuitamente, e também se adquirir o livro impresso e em formato .PDF.


29 de janeiro de 2015

Histórias Estranhas no Wattpad


Como minha última atividade do ano de 2014, compartilhei o meu primeiro livro, "Histórias Estranhas", no Wattpad. 

Acesse o Wattpad e visite o link:
http://www.wattpad.com/myworks/27797075-histórias-estranhas

Nele figuram meus primeiros contos, escritos entre 2002 e 2004 mas só publicados em 2006, depois em 2ª edição pela Bookess Editora em 2011.

É minha primeira "criança", muito querida para mim. Alguns podem achá-la rudimentar, trôpega, gaguejante, mas é por ser uma entusiasmada contadora de histórias iniciante, que ficará muito agradecida pela atenção.

Um bom 2015 para todos!