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4 de julho de 2018

Arquivos de Guerra no Clube de Autores

Meu terceiro livro, "Arquivos de Guerra", está disponível no Clube de Autores!


A plataforma permite orelhas para o livro. Estou deixando a da capa para a sinopse, e a da quarta capa para foto, minibiografia e obras. Vejam como ficou!

25 de junho de 2018

A Quarta Dimensão no Clube de Autores


"A Quarta Dimensão", meu segundo livro, foi disponibilizado hoje no Clube de Autores!


Página do livro e links aqui no blog já foram atualizados.

13 de junho de 2018

Clube de Autores

www.clubedeautores.com.br

Estou mudando de plataforma para o Clube de Autores!

Vou disponibilizar cada livro na ordem em que os publiquei, e o primeiro, portanto, é "Histórias Estranhas".


Mudarei a página do livro aqui no blog e atualizarei os links das barras laterais.

Em breve também divulgarei os links para o livro nas livrarias eletrônicas.

Relacionado à mudança, também virei editor junto à ISBN: podem me chamar de 924917. ;)

16 de maio de 2018

Minha letra para Misirlou


Sou fascinado pela trajetória da música Misirlou. 

"Misirlou" significa "egípcia", e é uma música de origens tradicionais no Oriente Médio. 
Harmonicamente ela é muito simples, soando como a chamada escala harmônica dupla maior, bizantina, árabe ou cigana maior com alguma variação.

A primeira gravação conhecida, no estilo grego rebetiko, foi de Tetos Demetriades, de 1927, com a letra em grego.

Em 1941, Nick Roubanis lançou a música em arranjo de jazz instrumental, colocando-se como compositor, o que não foi contestado até hoje. Depois a música ganhou letra em inglês escrita por Milton Leeds, Bob Russell e Fred Wise, nomes que usualmente constam ao lado do de Roubanis nos créditos da música. Ouça a letra nesta versão também de 1941 de Woody Herman & His Orchestra.


Em 1942, Edo Ljubic lançou uma versão com letra em croata.

Em 1943, Miriam Kressyn escreveu letras em iídiche (veja nesta versão de Seymour Rexite).

Em 1944, Clovis El-Hajj lançou a música com o título "Ya Amal", com letra em árabe.

Em 1946, a gravação de Jan August, o "dueto de piano de um homem só", chegou à 7ª posição da Billboard, a maior alcançada nos Estados Unidos.

Em 1958, Dario Moreno lançou uma gravação com letra em francês.


Em 1962, verdadeiro divisor de águas na história de Misirlou, um músico chamado Richard Anthony Mansour, descendente de libaneses por parte de pai, lançou um arranjo de rock instrumental para guitarra com sua banda. Você deve conhecê-lo melhor por seu nome artístico: Dick Dale & His Del-Tones, que tornaram a música um clássico da surf guitar. Em 1994 a versão foi ressuscitada por Tarantino em Pulp Fiction.

Em 1963, Chubby Checker lançou uma versão à sua moda com letra em inglês. No mesmo ano, saiu a versão instrumental dos Beach Boys

Em 1967, o gênio brasileiro Laurindo Almeida lançou sua versão bossa nova no álbum Acapulco '22. No mesmo ano, The Devil's Anvil soltou uma versão rock com nova letra em inglês, e "Missirlú", uma versão com letra em italiano por Gino e Dorine.



Em 1979, Paul Baghdadlian lançou versão intitulada "Anoush Yar" com letra em armênio.

Em 1982, a banda Agent Orange soltou uma versão punk-rock.

A música foi gravada nos mais variados estilos e gêneros: rebetiko, klezmer, latina, jazz, bossa nova, exotica, surf guitar, disco, punk-rock, ska, e recentemente, bastante sampleada, como famosamente em "Pump It" do Black Eyed Peas (2006).

Mas depois de ver as letras em grego, iídiche, árabe, as duas em inglês, ladino, turco, croata, sérvio, armênio, francês, espanhol e italiano, não achei uma letra em português.

Resolvi então escrever uma própria. Tentei me basear na original grega e na primeira em inglês, além de incorporar algo das outras, e tentar dar um toque próprio.

Ela funciona bem com a versão hit de Jan August:
Por um deserto sombrio, meu coração
Entristecido em peregrina solidão
Encantado pela chama do teu olhar
Para o mel de teus lábios me alimentar

Ah, Misirlou, ao te encontrar me perdi
Não há destino que não leva a você
Em teus negros cabelos quero viver

Sonho apenas com você a dançar
Princesa do Egito, quero te sequestrar
Surdo a quem diz que esse amor não era pra ser
Plantemos um beijo e deixemos florescer

23 de março de 2018

O CORVO de Edgar Allan Poe


O CORVO de Edgar Allan Poe (1809-1849)
Traduzido por Eduardo Capistrano
(preservando a estrutura de rima)

O texto original utilizado foi obtido na página da The Edgar Allan Poe Society of Baltimore. Publicado em 25 de setembro de 1849 no Semi-Weekly Examiner (o texto "T" de Thomas Ollive Mabbott) geralmente aceita como a última versão autorizada do texto.

O CORVO.
Uma vez em um meio de noite desanimado, enquanto eu ponderava, fraco e cansado,
Sobre vários volumes de saber esquecido, curiosos e sem iguais --
Enquanto eu meneava, quase dormente, veio um tanger repentinamente,
Como alguém batendo gentilmente, à minha câmara batendo nos portais.
É algum visitante, resmunguei, à minha câmara tangendo nos portais.
Apenas isso e nada mais."

Ah, distintamente me lembro era no lúgubre Dezembro;
E cada brasa em estertor macabro no chão fazia trabalhos fantasmais.
Com ânsia pela manhã estava a desejar; — vãmente eu procurava emprestar
De meus livros cessação para o pesar — pesar pela Lenore que não se acha mais —
Pois a rara e radiante donzela a quem chamam Lenore os angelicais —
Cá inominada para sempre e mais.

E a sedosa, triste, obscura farfalhada de cada cortina púrpura
Comovia-me — enchia-me de terrores fantásticos que não sentira antes, jamais;
De modo que agora, para acalmar o bater de meu coração, repeti sem parar
"É algum visitante tardio a buscar entrada nos meus portais —
Algum visitante tardio a buscar entrada nos meus portais —
É isto o que é e nada mais."

Presentemente minha alma foi mais forte ficando, então não mais hesitando,
"Senhor", disse eu, "ou Madame, em verdade eu imploro, se me perdoais;
Mas o fato é que eu estava dormente, e você veio bater tão gentilmente,
E veio você tanger tão tenuamente, tanger aos meus portais,
Que mal tinha certeza de tê-lo escutado" — aqui abri bem os portais; ——
Escuridão lá e nada mais.

Fundo naquela escuridão mirando, muito fiquei lá ponderando, receando,
Duvidando, sonhando sonhos que mortal algum ousou sonhar, jamais;
Mas o silêncio estava inquebrado, e a quietude sem sinal dado,
E o único termo lá falado foi "Lenore?", palavra que em sussurro se faz
Isto sussurrei, e um eco em murmúrio a palavra "Lenore!" de volta me traz —
Meramente isso e nada mais.

Para dentro da câmara voltando, toda a alma dentro de mim queimando,
Logo de novo uma batida escutando mais alta que antes, um tanto mais.
"Certamente", disse eu, "é algo à treliça de minha janela, certamente;
Deixe-me ver o que está lá, entrementes, e explorar estes mistérios tais; —
Deixe meu coração ficar calmo um momento e explorar estes mistérios tais; —
É o vento e nada mais!"

Aberta lancei a persiana neste instante, quando, muito agitado e meneante,
Para dentro pisou um Corvo imponente dos santos tempos ancestrais;
Nem a mínima reverência fez ele; nem um minuto parou ou se deteve ele;
Mas, com o porte de lorde ou dama dele, empoleirou-se sobre os meus portais —
Empoleirou-se sobre um busto de Pallas logo sobre os meus portais —
Empoleirou-se, e sentou, e nada mais.

Então este pássaro ebâneo seduzindo meu triste ânimo e me fez sorrindo,
Por causa do grave e sério decoro de expressão que faz,
"Apesar de teu penacho tosado e raspado, tu", eu disse, "és decerto nenhum acovardado,
Lúrido austero e antigo Corvo viajado desde as costas Noturnais —
Conte-me qual é teu nome senhoril nas Plutonianas costas Noturnais!"
Proferiu o Corvo "Nunca Mais".

Muito me maravilhou este desajeitado pássaro ao escutar discurso tão articulado,
Apesar de sua resposta pouco significado — pouca relevância traz;
Pois discordar não vamos poder que nenhum humano ser
Algum dia foi abençoado em ver pássaro sobre os seus portais —
Pássaro ou besta no busto esculpido sobre os seus portais,
Com tal nome como "Nunca Mais".

Mas o Corvo, sozinho a sentar sobre o busto plácido, apenas a falar
Só aquela palavra, como se naquela palavra despejasse suas forças espirituais.
Nada além ele então pronunciava — nem uma pena ele então farfalhava —
Até que eu pouco mais do que balbuciava "Outros amigos voaram tempos atrás —
Na manhã em que ele irá me deixar, como minhas Esperanças voaram tempos atrás."
Então o pássaro disse "Nunca mais".

Surpreso com a quietude quebrada por resposta tão aptamente falada,
"Sem dúvida," disse eu, "o que profere é o único depósito em seus arsenais
Colhido de algum mestre desgostoso a quem o Desastre impiedoso
Veio com ardor e veio mais ardoroso até que em suas canções um só fardo jaz —
Até que nas endechas de suas Esperanças aquele melancólico fardo jaz
De 'Nunca — nunca mais'."

Mas o Corvo ainda seduzindo meu triste ânimo e me deixar sorrindo,
Direto rodei um assento acolchoado para a frente do pássaro, e busto e portais;
Então, sobre o veludo afundando, me dediquei a ficar vinculando
Ânimo com ânimo, pensando o que esta ominosa ave de eras ancestrais —
O que esta lúrida, desajeitada, lúgubre, esguia e ominosa ave de eras ancestrais
Pretendia ao coaxar "Nunca mais".

Isto sentado me engajei em adivinhar, mas nenhuma sílaba a expressar
Para a ave cujo olhar agora ardia fundo em meu peito com fogo vivaz;
Isto e mais adivinhando sentado, minha cabeça em descanso reclinado
Na almofada de forro aveludado que sob a luz da lâmpada jaz,
Mas cujo forro violeta aveludado que sob a luz da lâmpada jaz,
Ela não irá amassar, ah, nunca mais!

Então, pensei comigo, o ar ficou mais denso, perfumado por invisível incenso
Balançado por serafins cujas pegadas no chão tufado soavam com tilintares.
"Desgraça," eu clamei, "teu Deus concedeu a ti — por estes anjos ele enviou a ti
Repouso — repouso e nepente, para memórias de Lenore não ter mais;
Traga, oh traga este gentil nepente e esta perdida Lenore não lembre mais"
Proferiu o Corvo "Nunca mais".

"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! — se ave ou diabo, ainda augural! —
Se enviado pelo Tentador, ou se pela tempestade aqui por terra cais,
Desolado mas todo inabalado, neste deserto reino encantado —
Neste lar pelo Horror assombrado — conta a verdade, imploro, se te apraz —
Haverá — haverá bálsamo em Gileade? — conta-me — conta, se te apraz!"
Proferiu o Corvo "Nunca mais".

"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! — se ave ou diabo, ainda augural! —
Por aquele Céus que curva sobre nós — por aquele Deus que eu e vós adorais
Conte a esta alma de mágoa tão pesada se, na distante edênica morada,
Ela agarra uma donzela santificada a quem chamam Lenore os angelicais —
Agarra uma rara donzela iluminada a quem chamam Lenore os angelicais."
Proferiu o Corvo "Nunca mais".

"Seja esta palavra nosso sinal de adeus, ave ou diabo!" de um salto, gritei eu —
"Retorne-te para dentro da tempestade e das Plutonianas costas Noturnais!
Deixe nenhuma pluma negra para ser lembrada aquela mentira por tua alma falada!
Deixe minha solidão inquebrada! — desiste do busto sobre meus portais!
Leva teu bico para fora de meu coração, e leve tua forma de sobre meus portais!"
Proferiu o Corvo "Nunca mais".

E o Corvo, nunca esvoaçando, está ainda sentando, ainda sentando
Sobre o pálido busto de Pallas à minha câmara sobre os portais;
E seus olhos vêm aparentando os de um demônio que está sonhando,
E a luz da lâmpada sobre ele emanando no chão arremesso de sua sombra faz;
E minha alma daquela sombra que flutuando sobre o chão jaz
Não será erguida — nunca mais!