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20 de dezembro de 2010

Fim de ano

Obrigado a todos que acompanharam meu blogue no ano de 2010.

Desejo a todos um ótimo fim de ano, e que em 2011 tenhamos paz, saúde e alegria, que é o que importa.

Retorno com o blogue em janeiro. Abraços a todos!

12 de dezembro de 2010

Esperando a Rocco (atualizado)

Tomei o cuidado de examinar minha pasta de spams para saber se uma possível resposta da Editora Rocco havia sido colocada lá, por engano. Mas não veio mesmo uma resposta.

O blogue está em espera temporária até eu resolver definitivamente este contato com a Rocco, quando então eu atualizarei esta mesma postagem com um resumo e uma conclusão, antes de dar seguimento ao diário de publicação e às demais postagens.

Trato do envio do original à Rocco nesta postagem. O aviso de recebimento dos Correios acusa o recebimento em data de 30 de agosto. Conforme as Normas para Avaliação de Original da editora, eles tinham 45 dias de exclusividade dentro de 60 dias para dar uma resposta, que terminaram em 30 de outubro.

Já enviei mensagem ao e-mail informado nas Normas (originais@rocco.com.br), utilizei o formulário na página "Contato", e enviei ao e-mail geral da editora (rocco@rocco.com.br). Ainda não consegui uma resposta.

QUARTA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO DE 2010

Em 9 de novembro de 2010 -- mais de uma semana depois do fim do prazo de 60 dias para uma resposta -- enviei a seguinte mensagem para "originais@rocco.com.br":
ANDAMENTO DE AVALIAÇÃO
Bom dia, enviei originais de meu livro "A Quarta Dimensão" para avaliação, que foram recebidos pela Editora Rocco no dia 31 de agosto. Passados os 60 dias mencionados nas "Normas para Avaliação de Original", gostaria de informações a respeito do andamento do processo de avaliação. Agradecimentos antecipados.
Não houve resposta. Depois disso enviei a mesma mensagem através do formulário na sessão "Contato" da página da Editora. Em 7 de dezembro -- quase um mês depois da mensagem anterior -- encaminhei a mensagem anterior precedida da seguinte mensagem para "rocco@rocco.com.br":
FWD: ANDAMENTO DE AVALIAÇÃO
Bom dia, enviei a mensagem abaixo há quase 1 mês atrás, e em seguida repeti utilizando o formulário na seção "Contato" da página da Editora, sem resposta. Enviei meu original atendendo todas as Normas para Avaliação, e acho que tenho o direito de no mínimo obter uma resposta. Obrigado.
Não houve resposta. Em 13 de dezembro, tentei efetuar um contato telefônico com a Editora Rocco, resultado do qual incluí na mensagem seguinte, que ernviei em seguida para os dois e-mails que mencionei anteriormente:
ANDAMENTO DE AVALIAÇÃO
Bom dia, hoje (13/12/2010) tentei entrar em contato telefônico com a Editora para saber sobre a avaliação dos originais, mas me informaram que o departamento só responde por e-mail. Ocorre que após três tentativas de contato (duas por e-mail, abaixo, e uma pelo formulário na seção "Contato" da página da editora) não obtive resposta.
Os originais foram recebidos em 31/08/2010 por "Rodrigo da Silva", conforme Aviso de Recebimento. Os 60 dias para avaliação, portanto, acabaram em 31/10/2010.
Sem uma resposta, fico sem saber se os originais sequer chegaram corretamente e foram avaliados.
Obrigado.
Não houve resposta. Imediatamente, recebi o seguinte e-mail, do qual transcrevo apenas o início e grifo, por razões que ficarão claras.
UNDELIVERED MAIL RETURNED TO SENDER
The mail system (expanded from ): host colevile.tpn.terra.com[/public/trrlmtpd] said: 552 4.2.2 Mailbox full (Caixa postal cheia / Bandeja de entrada llena) (1292241409.815981.18088.colevile.tpn.terra.com) (in reply to end of DATA command)
Minha conclusão para o contato com a Rocco é a seguinte cadeia de pensamentos:
A Editora Rocco aceita originais de novos autores exigindo que se adequem a uma série de Normas, mencionando que o prazo máximo de avaliação é de 60 dias, e fornecendo um e-mail para eventual acompanhamento. O autor que se adequa às Normas demonstra respeito a elas e à Editora, com expectativa de idêntico respeito. Afinal, através da submissão dos originais para avaliação de uma Editora, o autor a julga competente e profissional para associar a ela seu próprio nome caso seja publicado. Todavia, não me parece competente nem profissional disponibilizar canais de comunicação com novos autores sem estar preparado para responder às submissões de originais -- sem, neste caso, sequer esvaziar a caixa de entrada para receber novas mensagens.

Só posso especular sobre os motivos para tal atitude por parte da Editora, mas não irei expressá-las aqui. O que posso mencionar é que não estaria a questionando se nas Normas não constasse prazo para avaliação, e-mail para contato ou mesmo a promessa de resposta, ainda que negativa. Com o envio descompromissado e sem qualquer expectativa dos originais, não teria perdido dinheiro -- para a elaboração dos originais e do pacote de documentos pedidos pelas Normas -- nem tempo.

Comprometo-me, é claro, a postar qualquer resposta tardia que a Rocco se digne a enviar, mas presentemente não recomendo a qualquer novo autor o que fiz.

(A Rocco respondeu em 3 de fevereiro de 2011. Sobre a resposta, siga este atalho.)

6 de dezembro de 2010

"As Estações" e "As Horas do Dia", de Mucha

Auto-retrato, 1899
O estilo pictórico do pintor e ilustrador tcheco Alphonse Maria Mucha (1860-1939) ajudou a estabelecer a Art Nouveau -- que chegou a ser chamado de Estilo Mucha -- através de seus desenhos de contornos fortes, representando mulheres em trajes clássicos, cercadas de motivos florais e emolduradas em painéis estilizados.

Mucha nasceu em Ivancice, Morávia, região então pertencente ao Império Austríaco e atualmente parte da República Tcheca. Na infância estudou graças à participação em um coral na Igreja de São Pedro de Brno, capital da Morávia. Foi rejeitado na Academia de Arte de Praga em 1878, viajando a Viena para tornar-se pintor de cenários teatrais. Em 1881 o negócio de seu empregador foi destruído por um incêndio e Mucha foi para Mikulov tornar-se retratista. Foi lá que conheceu o Conde Khuen Belasi, e com o patrocínio do irmão deste ingressou na Academia de Arte de Munique em 1885.

Em 1887 ele foi para Paris, continuando seus estudos nas Academias Julian e Colarossi e fazendo ilustrações para revistas e propagandas. Em 1894 ofereceu-se para produzir um pôster para o Théâtre de la Renaissance, anunciando a peça Gismonda de Victorien Sardou, encenada por Sarah Bernhardt. O pôster causou enorme impressão, garantindo um contrato de 6 anos para o artista e inaugurando o Estilo Mucha.

As obras que Mucha considerava serem suas obras-primas foram Le Pater, de gravuras inspiradas no "Pai Nosso", e "O Épico Eslavo", 20 telas produzidas entre 1910 e 1928 contando a história do povo tcheco e outros povos eslavos. 

Dentre sua extensa produção, encontram-se três séries dedicadas às estações do ano, cada uma representada em seu estilo único, produzidas em 1896, 1897 e 1900, e uma série dedicada às horas do dia. Sob cada ilustração há atalhos para imagens maiores. Veja também galerias do artista na Mucha Foundation, Artsy, artinthepicture.com e BacktoClassics.com.

 
1896 - As Estações: Primavera, Verão, Outono e Inverno

1897 - As Estações: Primavera, Verão, Outono, Inverno,

1900 - As Estações: Primavera, Verão, Outono, Inverno

1899 - As Horas do Dia: Despertar da Manhã, Brilho do Dia, Contemplação da Tarde, Repouso da Noite

27 de novembro de 2010

Lento super rápido

Graeme Taylor já fundou uma página, a Straylight, para os seus vídeos Glide, criados com uma técnica engenhosa: uma câmera digital filmando para fora da janela de um trem em alta velocidade. Posteriormente, a reprodução do vídeo é desacelerada e cria um efeito descrito por Graeme como "sem objetivo, livre de ação e totalmente mesmerizante".





Os próximos vídeos trazem um novo helicóptero que voa sem girar os rotores:





Na verdade, o efeito é obtido com outro truque engenhoso. A velocidade de captura de quadros da câmera é regulado para acompanhar a velocidade do rotor do helicóptero. Assim, a câmera captura imagens quando a hélice alcança o mesmo ponto. Todo o resto do veículo parece se mover enquanto a hélice parece imóvel, um efeito chamado aliasing temporal.

26 de novembro de 2010

O Tempo na ficção científica antiga (3)

Pouco antes de H. G. Wells e Jules Verne fundarem propriamente o gênero da ficção científica, houve vários autores que enveredaram pela especulação científica, e dentre estes é possível indicar alguns que trataram do Tempo em algum aspecto.

Antigas visões do futuro incluíam dirigíveis dominando os céus
Apesar de sua considerável contribuição por ter cunhado o termo "literatura futurista", a Internet negou ao historiador francês Félix Bodin uma biografia adequada. Encontrei esta na Wikipédia em francês, sem mencionar sua tardia mas inegável aventura pela ficção científica, se é que não é um ilustre homônimo e contemporâneo. De qualquer forma, a obra em questão é Le Roman de l'Avenir ("O Romance do Porvir", 1834), notável pelo tratamento do progresso social e moral da humanidade além do tecnológico, e no sucesso maior naquele do que neste. Exemplifica-se com a comparação: tecnologias a vapor e dirigíveis predominam em seu mundo na segunda metade do século XX, mas acertadamente ocorre o declínio do poder monárquico e o inverso crescimento da democracia, a influência crescente de companhias de capital aberto e a globalização da política mundial. Esta sociedade mundial do futuro estaria dedicada a eliminar três grandes males, guerra, escravidão e poligamia, ao mesmo tempo que lida com conflitos armados em uma projeção realista de que não haveria sucesso nestas empreitadas tão cedo.

A primeira menção de mumificação desta postagem é de Jane Webb Loudon (1807-1858), com seu "A Múmia!: Um Conto do Século XXII" (1827), publicado anonimamente. Influenciada por "Frankenstein" e pelas então recentes descobertas de franceses no Egito, na estória o faraó Quéops (ou Khufu, cuja múmia nunca foi encontrada) revive através de choques galvânicos no século XXII e perambula observando as mudanças na política, tecnologia e cultura, como mulheres usando calças, joias que emitem chamas, autômatos a vapor que fazem as vezes de médicos e advogados e casas sobre trilhos para a ocasional mudança de ares.

"Napoleão Diante da Esfinge", Jean-León Gérôme, 1868
O francês Louis-Napoleón Geoffroy-Chateau (1803-1858) escreveu o que é indicada como a primeira obra literária disponibilizada para o grande público a explorar o tema de história alternativa, "História da Monarquia Universal: Napoleão e a Conquista do Mundo 1812-1832" (1836). Como pode-se depreender do título, a obra conta a história do mundo após Napoleão subjugar a Rússia em 1812 (em nossa história os franceses bateram retirada), invadindo a Inglaterra em 1814 e continuando as conquistas até se tornar Imperador do Mundo. Seu governo propicia diversos avanços como veículos voadores, pianos de escrita, climatização, potabilização da água do mar, curas para diversos males e a descoberta do planeta Vulcano. Em certo momento, fala-se em um romance fantástico em que Napoleão teria sofrido uma derrota incrível na pequena cidade belga de Waterloo.

A monumental obra de Edgar Allan Poe (1809-1849) conta com dois textos que merecem menção nesta lista. Na sátira "Algumas Palavras Com Uma Múmia" (1845), Poe denuncia os extremos da egiptomania de sua época, com a múmia Allamistakeo (all a mistake quer dizer "tudo um engano") revivida através de eletricidade e iniciando um debate com os homens modernos que o reviveram. A múmia despreza todas as descobertas da modernidade, dizendo que os egípcios já haviam descoberto tudo, exceto pílulas para tosse. Em outra sátira, "O Milésimo Segundo Conto de Xerazade" (1845), a contadora de estórias de as "Mil e Uma Noites" descreve a oitava e última viagem do marinheiro Simbad, descrevendo todo tipo de maravilha, na verdade curiosidades dos Estados Unidos à época de Poe. O rei Xariar fica tão descrente com a estória que revoga sua decisão anterior depois das mil e uma estórias, ordenando a morte de Xerazade.

Imaginava-se difusão da tecnologia a vapor em vez de substituição
Émile Souvestre (1806-1854) descreve em seu "O Mundo Como Será" (1846) o mundo do ano 3000, para o qual o casal francês Maurice e Marthe são levados por "João Progresso", o condutor de uma locomotiva a vapor que viaja no tempo. Esse mundo do futuro tem veículos subaquáticos e subterrâneos movidos a vapor, sintetização de madeira e pedras, telefonia, climatização, culturas vegetais gigantes, e um governo mundial com capital no Taiti. Reformas sociais severas, incluem pessoas criadas e condicionadas desde a infância para trabalhos específicos, corporações influenciando decisões do governo e doenças e aflições causadas às pessoas pela comunidade médica.

Victor Hugo (1802-1885), mais lembrado por "Os Miseráveis", deixou "A Lenda dos Séculos" (1859-1883), uma coleção de poemas que descreve o poeta em sonho contemplando um "muro dos séculos", em que surgem projetadas visões do passado, presente e futuro. Os poemas procuram descrever essas visões, indo do lírico ao satírico, mais aludindo ao espírito de cada século do que sendo historicamente precisos. "O Século Vinte" contém dois poemas, "Mar pleno" e "Céu pleno", que contam como a humanidade reúne-se sob os destroços do veículo "Leviatã" que navegava por um mundo desértico assolado por ventanias. Finalmente os homens dirigem-se às estrelas em uma nave.

22 de novembro de 2010

O Tempo na ficção científica antiga (2)

Um dos elementos essenciais para a ficção científica -- logo ali, em seu nome -- é a ciência. Na tentativa de incluí-la em um gênero maior -- o da ficção especulativa -- é possível falar que é ficção em que a especulação envolve fatos científicos. Logo, momentos históricos marcados pelo progresso científico inevitavelmente instigam a imaginação e impulsionam as artes e a literatura, como o foram o Renascimento e o Iluminismo.

Mapa de Utopia, Abraham Ortelius, 1595
"Utopia" (1516), do inglês Thomas More (1478-1535), consagrou e deu nome à imaginação de sociedades ideais na literatura. A obra descreve a ilha de Utopia e o conjunto de práticas que a faz suportar uma sociedade perfeita, ainda que inalcançável. Obras no mesmo espírito incluem "Cidade do Sol" (1602) de Tommaso Campanella (1568-1639) e "Nova Atlântida" (1624) de Francis Bacon (1561-1626). Ainda que um tratamento contemporâneo -- More descrevia a ilha com relatos de viajantes que a visitaram -- seu nome, e o antônimo "distopia" são usados frequentemente para descrever sociedades futuristas. 

O irlandês Samuel Madden (1686-1765) escreveu "Memórias do Século Vinte" (1733) e "O reinado de George VI, 1900-1925" (1763), em que o protagonista recebe documentos governamentais do futuro através de seu anjo da guarda, que o permite examinar os problemas do mundo governado pelo Imperador George VI. A característica mais notável desse futuro é que, extrapolando a tendência de construção de canais de sua época, o autor imaginou que o futuro teria canais e vias fluviais no lugar de nossas estradas e trilhos, com barcos em vez dos nossos automóveis atuais. A obra de Madden é indicada como uma crítica usando a distância do tempo como Jonathan Swift (1667-1745) usou a distância do espaço em seu "Viagens de Gulliver" (1726).

L'An 2440, rêve s'il en fut jamais ("O Ano 2440, um sonho, se já houve um", 1771) do francês Louis-Sebastién Mercier (1740-1814) é um exemplo de utopia futurista, contando a história de um parisiense que adormece e desperta no ano do título, para uma cidade quase perfeita com mudanças desde o vestuário e consumo (como a eliminação de café, chá, tabaco e pastelarias) até reformas mais contundentes (como a eliminação de sacerdotes, dos impostos e do exército). 

 O francês Rétif de la Bretonne (1734-1806) -- mais lembrado por libertinagens -- tenta prever inventos e descobertas futuras em seu "A Descoberta Austral por um Homem Voador, ou o Dédalo Francês" (1781), em que o entomólogo Victorin desenvolve mecanismos alados baseado nas asas de insetos, para fugir com sua amante Christine voando para o sul, onde descobre Megapatagon, um arquipélago habitado por homens-animais, com o inverso da sociedade francesa, até no nome da capital "Sirap".

O francês Jean-Baptiste Cousin de Grainville (1746-1805) escreveu Le Dernier Homme ("O Último Homem", 1805) parece ter sido o primeiro a explorar o tema, que se tornaria frequente nas épocas vindouras. O narrador repassa a estória que lhe foi contada pela Encarnação do Tempo, a saga de Omégare, o Último Homem. Com o planeta quase todo reduzido a um deserto estéril pelos abusos do homem, Omégare foge para o último lugar vivo, no Brasil (!). Mas lá, Ormus, autoproclamado "Deus da Terra", deseja que Omégare procrie com Sydérie, a última mulher, para recomeçar a humanidade. Intimidado pelo futuro que criaria, com os primeiros humanos fadados ao barbarismo, Omégare escolhe a própria morte e o fim da humanidade. O tema "último homem" recebeu atenção imediata não apenas através de Mary Shelley, discutida a seguir, mas também por seguidores: Creuzé de Lesser ("O Último Homem", 1831), Paulin Gagné ("A Mulher Messias", 1858) e Elise Gagné ("Omégar ou o Último Homem", 1859)

"O Último Homem", John Martin, 1849
A inglesa Mary Shelley (1797-1851), notória autora de "Frankenstein" (1818), uma das obras apontadas como fundadoras da ficção científica, deve ser mencionada aqui por outros textos. Seu próprio "O Último Homem" (1826) descreve profecias escritas pela Sibila de Cumas adaptadas no relato de Lionel Verney, que perto do ano 2100 tenta alcançar a segurança em um mundo assolado pela peste, guerras e saqueadores. "Roger Dodsworth: O Inglês Reanimado" (1826), publicado como um relato fidedigno nos jornais ingleses, contava a história do inglês do título, nascido em 1629 e enterrado em uma avalanche em 1660, e trazido à vida depois de 166 anos. "O Mortal Imortal" (1833) é o relato de "Winzy" em seu 323o. aniversário, lembrando como tomou uma substância preparada pelo alquimista alemão Cornelius Agrippa (1486-1535), enquanto trabalhava para ele como seu assistente, tornando-se imortal.

19 de novembro de 2010

O Tempo na ficção científica antiga (1)

Examinar o tratamento literário do Tempo nos faz retornar frequentemente para o gênero da ficção científica. O tema certamente propicia explorações dissociadas do puramente científico -- como Proust, cuja obra abordei em artigo passado -- mas quando é observado como um todo, suas vertentes, invariavelmente, recaem sobre a literatura especulativa.

Tendo iniciado propriamente com H. G. Wells e Jules Verne (os nomes levam para artigos anteriores sobre ambos), elementos de ficção científica são encontrados em obras antecedentes, até autores imediatamente anteriores que seriam considerados ficção científica se não fossem analistas mais puristas com critérios estritos para definir o gênero. Pretendo fazer aqui uma menção daqueles precursores que exploraram temas relacionados ao Tempo.

Mapa de Atlântida, Mundus subterraneus de Athanasius Kircher (1602-1680)
A primeira que cabe ser mencionada é a Atlântida descrita por Platão (428-348 AEC) nos diálogos "Timeu" e "Crítias". Segundo ele, Atlântida era uma potência marítima localizada em uma vasta ilha defronte aos Pilares de Hércules (o Estreito de Gibraltar, a abertura do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico), que governava um verdadeiro império que se estendia sobre Europa e África 11.000 anos atrás. Apesar de servir como inspiração para utopias literárias que viriam muito tempo depois (como "A Nova Atlântida" de Francis Bacon), Atlântida era na verdade uma distopia, o contrário perfeito de Atenas, que reunia os valores utópicos descritos por Platão em "A República". O fim de Atlântida representa muito bem isso: após falhar numa tentativa de invadir Atenas, a ilha é engolida pelo mar.

Os épicos indianos Ramayana e Mahabharatha, que podem remontar até o século IV AEC, também trazem elementos curiosos. Ramayana descreve a estória do herói Rama procurando resgatar sua esposa Sita, sequestrada pelo Rei Ravana de Lanka. Ravana recebe Rama em sua "vimana", um magnífico veículo capaz de viajar no ar, sob as águas ou pelo espaço, em uma esperançosa antecipação de naves voadoras. Mais adiante, buscando um fim para o terrível embate contra Ravana, Rama faz uso de uma "Brahmastra", uma arma concedida pelo deus Brahma que destruía o alvo sem resistência possível, além de privar de vida a região ao redor -- comparada às nossas atuais bombas atômicas. Já o Mahabharatha, que contém o relato da Guerra de Kurukshetra e o maravilhoso Bhagavad Gita, traz a história do Rei Kakudmi, que visita Brahma para saber qual dos pretendentes de sua filha magnífica seria o marido ideal. Kakudmi aguarda que músicos entretendo Brahma terminem e, quando o Criador o recebe, este gargalha, contando que o tempo em sua casa corre diferente do que na Terra. Eras passaram e até descendentes distantes dos pretendentes de sua filha já haviam morrido de velhos. Esse mecanismo de dilatação do tempo viria a ser frequentemente empregado em narrativas envolvendo viagem no tempo.

Similarmente, a lenda japonesa de Urashima Taro, do século VIII, conta como o pescador de mesmo nome salva uma tartaruga torturada por crianças. Uma imensa tartaruga depois surge para ele informando-o que a pequena era Otohime, filha de Ryujin, o Deus Dragão do Mar, que deseja agradecê-lo pessoalmente. Depois de alguns dias no palácio submarino de Ryujin, ele deseja voltar para casa, para desgosto de Otohime, que lhe presenteia com uma caixa que não deve abrir. Urashima chega à sua vila e descobre que 300 anos se passaram, e que todos que conhecia morreram. Em desespero ele abre a caixa e envelhece imediatamente. A voz de Otohime explica que não devia ter aberto a caixa, pois ela continha a sua velhice.

"Descida", ilustração de Edmund Dulac (1882-1953) para "O Cavalo de Ébano"
As estórias das Mil e Uma Noites, a notória coleção de narrativas árabes, contém vários traços de ficção científica, particularmente em "A Cidade de Bronze", "O Cavalo de Ébano" e "O Terceiro Conto de Qalandar", que trazem homens e criaturas mecânicas capazes de movimento autônomo, como precursores dos robôs. Mas é o romance "O Livro de Fadil ibn Natiq", depois traduzido como Theologus Autodidactus, escrito pelo sábio árabe Ibn al-Nafis (1213-1288) que melhor prevê o gênero em todas as suas características. O livro acompanha a trajetória de Kamil, um selvagem nascido em uma ilha que procura compreender o mundo através da racionalidade. O autor apresenta através de Kamil suas próprias teorias sobre diversos temas, sob um enfoque científico e religioso, passando inclusive a previsões sobre o futuro, incluindo um fim do mundo catastrófico.

16 de novembro de 2010

Relógios de Curitiba (1)

 
1866 - Farmácia Stellfeld (1857 de Sol da Tiradentes)
Local: Praça Tiradentes.
Detalhes: relógio de sol, formato irregular, face branca, números arábicos, graduado, inscrição "1857".
Links/Fotos: Gazeta do Povo, Circulando por Curitiba, José Domingos, Hackeando Catatau, Família Strobel.
Karl August Stellfeld, melhor conhecido como Augusto Stellfeld (1817-1894), fundou a Botica Allemã ao lado da Santa Casa de Misericórdia em 7 de abril de 1857. Em 1866 (1863?), a farmácia mudou para edifício próprio no Largo da Matriz, hoje Praça Tiradentes. Os artesãos alemães responsáveis pela obra realizaram o feito arquitetônico de construir o telhado sem usar pregos.

1880 - Hospital de Caridade da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia
Local: Rua André de Barros, esquina com Rua Alferes Poli.
Detalhes: relógio mecânico, circular, dois ponteiros, face cinza, números romanos (4 grafado IIII), não graduado.
Links/Fotos: PUC/PR, Flickr da Santa Casa, Gazeta do Povo, Circulando por Curitiba, COPAN, Pizzaria Reginas, Rim Online.
Resultado da iniciativa da Fraternidade Curitibana, que desde 1843 fazia esforços para estabelecimento da Santa Casa de Misericórdia na capital paranaense, o que veio a ocorrer só em 9 de junho de 1852. A construção do Hospital de Caridade iniciou em 1868 e foi concluída em 1880, sendo inaugurado em 22 de maio pelo imperador Dom Pedro II. A rua em que foi construída ganhou o nome de Rua da Misericórdia, atual rua André de Barros.

1883 - Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas
Local: Largo da Ordem.
Detalhes: relógio mecânico, circular, dois ponteiros, face branca, números romanos (4 grafado IIII), graduado.
Links/Fotos: Arquidiocese de Curitiba, Panoramio, Circulando por Curitiba, Agenda Digital, Vanessa Marcia Vargas
A igreja mais antiga da cidade foi construída em 1737 como Igreja de Nossa Senhora do Terço, mudando de nome com a chegada da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas em 1746, que usou o lugar como convento até 1783. Em 1834 uma parte da igreja desmoronou, mas a restauração só foi feita em 1880, com a visita do imperador Dom Pedro II. Em 1883 foi concluída a construção da torre, com sinos doados por ervateiros.

1885 - Estação Ferroviária Velha
Local: Avenida Sete de Setembro, 2775.
Detalhes: relógio mecânico, circular, dois ponteiros, face branca, números arábicos, segunda numeração interna de 13 a 24 horas colorida em vermelho, não graduado.
Links/Fotos: Shopping Estação, Estações Ferroviárias, Circulando por Curitiba, Blogeleuza.

A estação ferroviária de Curitiba foi inaugurada em 1885, para integrar a linha Curitiba-Paranaguá. Leia mais neste artigo que fiz sobre o Shopping Estação.

1891 - Igreja Matriz de São José em Santa Felicidade
Local: Avenida Manoel Ribas, 6252.
Detalhes: relógio mecânico, circular, dois ponteiros, face branca, números arábicos, não graduado, total de quatro (faces da torre).
Links/Fotos: Arquidiocese de Curitiba, Circulando por Curitiba, Bedene, Adenir Zanin, ACISF, Parques Curitiba
Um campanário separado do edifício principal é, segundo a Arquidiocese de Curitiba, elemento tradicional da arquitetura eclesiástica italiana. Encontrei foto da fundação da Igreja sem mostrar o campanário, todavia, e não pude determinar se já constava desde a inauguração ou se foi adicionada na ampliação que lhe deu o aspecto que tem hoje. A fachada anterior foi replicada no Memorial Italiano.

1893 - Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba
Local: Praça Tiradentes.
Detalhes: relógio mecânico, circular, dois ponteiros, face branca, números romanos (4 grafado IIII), graduado, total de dois (um em cada torre).
Links/Fotos: Arquidiocese de Curitiba, Wikipédia, Circulando por Curitiba 1 e 2, Cultura-Arte, JCassiano, Cristiane Santiago.
Curitiba cresceu ao redor da primeira igreja católica da cidade, uma capela de madeira construída em 1693. Em 1715 foi elevada a Primeira Igreja Matriz, e em 1720 foi concluída a construção de uma igreja de pedra e barro. Em 1860 a adição de torres levou à formação de rachaduras, que motivou em 1875 a demolição do edifício. A construção da igreja atual durou até 1893, e durante esse tempo a Igreja do Rosário, no Largo da Ordem, funcionou como Matriz. O edifício neogótico, inspirado na Catedral de Barcelona, teve projeto do arquiteto francês Alphonse de Plas. Foi promovida a Catedral em 1911 e a Basílica Menor em seu centenário em 1993.

1916 - Paço da Liberdade
Local: Praça Generoso Marques
Detalhes: relógio mecânico, circular, dois ponteiros, face branca, números arábicos, graduado, inscrição "Hora Normal", total de três (frente e laterais da torre).
Links/Fotos: SESC/PR, Circulando por Curitiba, Eu Já Fui, Curitibairros, Jornale, Wikipédia, O Globo
Em 1914, o então prefeito Cândido Ferreira de Abreu (1856-1919) iniciou a construção da primeira sede própria da prefeitura no local do antigo Mercado Municipal, projetada por ele próprio com a ajuda do escultor Roberto Lacombe. O Paço Municipal foi inaugurado em 1916, e em 1948 foi batizado de Paço da Liberdade. Depois de 42 prefeitos, deixou de ser a prefeitura em 1969. Em 1974 tornou-se o Museu Paranaense, assim permanecendo até 2002. Com a restauração concluída em 2009, tornou-se um espaço cultural mantido pelo SESC/PR. É o único edifício curitibano tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

6 de novembro de 2010

Desmentindo o mês "saco de dinheiro"

Vocês já podem ter visto isso:

Este mês de Outubro é muito especial. Tem 5 sextas, 5 sábados e 5 domingos. Isto ocorre somente a cada 823 anos. É conhecido como saco de dinheiro! Com base no fengshui chinês, passe esta mensagem para 8 pessoas e o dinheiro aparecerá em 4 dias! Aquele que interromper não participará plenamente desta experiência
Bem, é uma mentira, destinada a usar o desconhecimento generalizado sobre a matemática que rege nosso calendário, sobre misticismo e sobre a cultura chinesa para uma das práticas mais odiosas permitidas pela comunicação digital moderna -- a corrente. Parece que o factóide estava desvinculado de correntes originalmente, segundo o Snopes. Mas, infelizmente, alguém capaz de acreditar nisso pode ser bastante capaz de acreditar que o dinheiro virá.

Os anos não começam sempre no mesmo dia da semana porque, para a explicação mais rápida, 365 (dias do ano) não é divisível por 7 (dias da semana). Mas mesmo assim, por haver apenas 7 possibilidades, seria apenas uma questão de tempo até que o ano começasse novamente em certo dia da semana.

Mas o calendário tem um ajuste ao ano solar a cada 4 anos, que forma o ano bissexto, de 366 dias (que também não é divisível por 7). Mesmo com as regras para ano bissexto (será bissexto o ano divisível por 4 e não divisível por 100, ou o ano divisível por 100 e também por 400), é também uma questão de tempo até a mesma estrutura de meses repetir. As duas únicas variáveis são o dia da semana em que o ano começa e o ano ser bissexto ou não. Assim, há 14 tipos de ano diferentes, 7 (dias da semana) multiplicado por 2 (bissexto + não bissexto). 

Para ter 5 sextas, sábados e domingos, como outubro de 2010 teve (e como agosto de 2010 teve 5 domingos, segundas e terças), entretanto, não é nem necessário que o ano inteiro seja idêntico. Bastará que ocorra um tipo de ano em que agosto comece com um domingo. O Snopes novamente ajuda indicando o padrão, uma série de intervalos de anos que se repete: 6, 5, 6, 11:
  • 1965 (+6) 1971 (+5) 1976 (+6) 1982 (+11) 1993;
  • 1993 (+6) 1999 (+5) 2004 (+6) 2010 (+11) 2021;
  • 2021 (+6) 2027 (+5) 2032 (+6) 2038 (+11) 2049...
A ocorrência pode ser constatada mais diretamente se ver esses anos no calendário do sistema operacional de seu computador ou em qualquer calculador de calendário disponível na Internet, como esta planilha.

Viajante do tempo em Chaplin

Outra curiosidade que me enviaram por e-mail.

O irlandês George Clarke, fundador da companhia cinematográfica independente Yellow Fever Productions, de Belfast, divulgou em seu blog uma apresentação em vídeo de uma descoberta na gravação da estreia do filme "O Circo" (The Circus, 1928) de Charlie Chaplin, que encontrou nos extras do DVD que adquiriu. O vídeo está abaixo.


A descoberta é a de que uma figurante aparece em cena parecendo usar um telefone celular ou dispositivo semelhante. Quatro milhões de exibições depois, todo tipo de opinião surgiu, aceitando a explicação de "é uma viajante do tempo falando em um celular", ou rejeitando-a trazendo explicações mais plausíveis ou mais absurdas. O próprio Clarke listou algumas teorias em postagem própria. Eu as listo em ordem decrescente de graça (em minha opinião): viajante do tempo ou visitante alienígena (!); tecnologia avançada desenvolvida pelo governo; pacote de gelo para dor de dente; aparelho auditivo; e falsificação. Há outras teorias não tão populares, como "falando sozinha e se coçando".

Provavelmente era um aparelho auditivo como esse da Siemens. Mas sabem o que é realmente surpreendente? Nunca houve tanto rebuliço por Chaplin na Internet, mas não foi sobre ele nem sobre sua obra.

De Volta para o Futuro, 25 anos depois

Algumas pessoas tem me enviado curiosidades relacionadas ao Tempo por e-mail. A quem acompanha o blog, fiquem à vontade para fazer o mesmo!

Já fiz artigos sobre esculturas, pinturas, música, literatura sobre o Tempo. Ainda não apresentei filmes porque busco uma forma apropriada para fazê-lo (filmes individuais, por diretor, por tema, por franquia...?). Uma das presenças obrigatórias, que possivelmente renderá uma postagem só para a franquia, é "De Volta Para o Futuro" (Back to the Future, 1985). O canal Spike (não disponível no Brasil) homenageia os 25 anos do filme na edição 2010 de seu prêmio Scream, começando por uma chamada especial na televisão: Michael J. Fox reproduzindo o teaser original do filme, revivendo o protagonista Marty McFly. Confira o original e a nova versão:



O prêmio Scream 2010, transmitido em 19 de outubro, reuniu Michael J. Fox e Christopher Lloyd (que interpreta o Doutor Emmet Brown nos filmes).

29 de outubro de 2010

Lendo os tempos

É comum encontrar jornais com nomes contendo o termo times, em inglês "tempos". Tendo por propósito documentar fatos e o cotidiano de maneira periódica e continuada, é evidente a escolha do termo: o jornal torna-se fonte valiosa para a compreensão da época de sua publicação, não só pelos fatos documentados, mas também pelas imagens, pelos anúncios e pela linguagem que utiliza.

Antes de empregar o termo propriamente dito, um dos primeiros jornais do mundo já continha referência ao termo "tempo". Trata-se do Avisa Relation oder Zeitung, publicado na Alemanha em 1609. Zeitung significa "jornal" em alemão, com a etimologia do termo contendo zeit, "tempo". Há um jornal alemão chamado Die Zeit, publicado desde 1946.


Em Londres, John Walter (1738-1812) fundou o jornal The Daily Universal Register em 1º de janeiro de 1785, que exatamente 3 anos depois mudou de nome para The Times, o primeiro jornal a empregar o termo e o responsável por sua difusão. O jornal reúne vários feitos importantes e curiosos. Sua grande influência deve-se em parte a ter adotado cedo a imprensa rotativa a vapor e à distribuição por trens a vapor. Wickham Steed (1871-1956) fez uma série curiosa de editoriais, em 1914 opinando pelo ingresso do Império Britânico na Primeira Guerra Mundial, em 1920 acreditando nos Protocolos dos Sábios do Sião e chamando os judeus de "o maior perigo do mundo", e em 1921, quando um correspondente do próprio jornal expôs os Protocolos como falsificação, retratando-se pelo anterior. É considerado o primeiro jornal a empregar correspondentes de guerra, tendo enviado o repórter irlandês William Howard Russell (1820-1907) para cobrir a Guerra da Crimeia (1853-1856, entre Rússia e uma aliança anglo-francesa pela ocupação da Terra Santa). Em 1931, Stanley Morison (1889-1967) criticou a impressão e tipografia do jornal, que o contratou para desenvolver uma nova fonte tipográfica, a conhecida Times New Roman. O escritor George Orwell (1903-1950) tornou o jornal o órgão do Grande Irmão em seu romance "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro", e Ian Fleming (1908-1964) tornou-o "o único jornal que [James] Bond lia". O jornal é publicado até hoje.


Nos Estados Unidos, uma das "crias" do The Times tornou-se tão difundido que o jornal londrino é lá chamado de The London Times ou Times of London. Em 18 de setembro de 1851, Henry Jarvis Raymond (1820-1869) fundou o New-York Daily Times, que mudou de nome para The New York Times em 1857. Em 1897 seu recente aquisidor, Adolph Ochs (1858-1935) cunhou o slogan que figura até hoje à esquerda do título: "All The News That's Fit to Print" ("Todas as notícias que se cabe imprimir"). Em 1904, o edifício de nº 1475 da Broadway tornou-se a quarta sede do jornal, no lugar chamado de Longacre Square que foi rebatizado, a partir daquela data, de Times Square. O jornal é o maior ganhador de Prêmios Pulitzer, atualmente com 101. O jornal é publicado até hoje.


Briton Hadden (1898-1929) e Henry Luce (1898-1967) criaram em 1923 a primeira revista semanal de notícias dos Estados Unidos, cujo título evidenciará a razão de sua menção neste artigo: a revista Time. A proposta da revista era contar as notícias focando em pessoas, e por muitas décadas a capa era dedicada a uma pessoa específica. Desde 1927, a revista elege a "Pessoa do Ano", a personalidade mais expressiva, fossem concretas ou abstratas, por bons ou maus motivos. A lista inclui Gandhi, João Paulo II, Martin Luther King, Hitler, o Aiatolá Khomeini, o Computador, a Terra Ameaçada, e Você. Em 1999 foi escolhida a pessoa do século: o cientista alemão Albert Einstein (1879-1955), por ser "o maior cientista de um século dominado pela ciência". A Time, Inc., companhia responsável pela revista, tornou-se parte do que é hoje o maior conglomerado de mídia do mundo e o segundo maior de entretenimento (depois da Disney), tendo se fundido com a Warner Communications em 1989 para formar o grupo Time Warner, adquirido pela AOL em 2000 formando a AOL Time Warner, que em 2003 reverteu o nome para Time Warner.

25 de outubro de 2010

De Chirico e o Tempo

O pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978) fundou, com Carlo Carrà (1881-1966) a Pittura metafisica e foi, através dela, um dos precursores do Surrealismo e do Dadaísmo. Sua obra é marcada pela exploração da melancolia e, em grau menor, pelo interesse no Tempo. Influência marcante sobre a arte que precedeu, De Chirico também foi escritor, com destaque para o romance Hebdomeros, uma narrativa surrealista em que evoca as mesmas imagens oníricas e fugazes que pintava.

 Em L'enigma dell'ora ("O Enigma da Hora", 1911), De Chirico emprega a alta formação de arcos e colunas como um símbolo para o afastamento entre o humano e o divino, elemento recorrente em sua obra (evidente em "O Enigma do Oráculo", de 1910). Os elementos alusivos ao Tempo, também recorrentes, como ficará evidente nas peças seguintes, são o relógio e a fonte. O relógio simboliza a morte, e a fonte representa o eterno retorno ou tempo circular. As duas figuras (clara e outra sombria) contemplam a fonte representando a melancolia dos homens alienados pelo tempo, pela morte e esquecidos pelos deuses. O relógio marca 14h55.

Em "As Delícias do Poeta" (1912), De Chirico coloca o tempo novamente no centro da composição. A presença de um trem (atrás do muro, à direita) em suas obras evoca a força da juventude, mas também a linearidade do Tempo, observada pela forma fantasmagórica solitária e impotente no pátio. O amplo terreno deserto é explicitamente monótono, maximizado pela eliminação do horizonte e pelas sombras, principalmente as que indicam que os prédios estão vazios. A fonte é uma alusão ao eterno retorno, ou tempo circular, contraposto ao tempo linear: uma alternativa ou "algo que poderia ser", mas talvez pelo isolamento do elemento venha não para contestar, mas para reforçar a ideia de linearidade, que termina na morte.

Em Gare Montparnasse (1914), também chamado de "Melancolia da Partida" (não confundir com a peça homônima de 1916), reaparecem o trem, as figuras contempladoras, a vastidão monocromática invadida por sombras, as altas colunas e arcos, a ausência do horizonte, o céu degradê distante. É uma das representações metafísicas de De Chirico, desta vez da estação de trem de mesmo nome em Paris. As bananas, perecíveis e imediatas, já haviam aparecido em "A Incerteza do Poeta" e "O Sonho Transformado", ambas de 1913.

Veja também o apêndice de Kathleen Toohey sobre De Chirico do livro Melancholy, Love and Time: Boundaries of the Self in Ancient Literature.

22 de outubro de 2010

Horas do Dia e da Noite, de Rafael (?)


Um achado fortuito, algumas gravuras emolduradas em um restaurante em que fui almoçar. O título de uma delas: "Ora Seconda del Giorno", italiano para "Hora Segunda do Dia". O autor: Rafael Sanzio. Fiz uma anotação para pesquisar sobre o que parecia ser uma série de pinturas diretamente relacionada ao Tempo, pelo grande mestre renascentista. Não foi o que encontrei. Após alguma pesquisa, descobri as gravuras em um catálogo online, e também em um antigo catálogo de coleções de Harvard. Vou tentar resumi-la.

Rafael, ou Raffaello Sanzio da Urbino (1483-1520) -- um dos três principais gênios do Cinquecento ou Alta Renascença, os outros sendo Michelangelo e Leonardo da Vinci -- teria realizado afrescos representando horas do dia e da noite no teto do Appartamento Borgia, aposentos do Palácio Apostólico adaptados para uso pessoal do Papa Alexandre VI, Rodrigo de Borgia (1431-1503). Mas a teoria dos estudiosos Joseph Archer Crowe e Giovanni Battista Cavalcaselle é a de que Rafael fez apenas os desenhos iniciais, replicando imagens femininas idênticas às encontradas em antigos murais romanos, deixando os afrescos para serem feitos por seus aprendizes. A teoria é apoiada sobre "uma rara impressão por Montagnani" de 1790, mostrando as decorações no teto dos aposentos com "afrescos das doze figuras das Horas em grupos de três, em dois lados do retângulo, repousando, como chegou a nós nas lâminas de cobre gravados por Fosseyeux e seus camaradas em 1805 e 1806, não no ar, mas em flores elevando-se de meandros antigos". Segundo eles, logo após as impressões serem feitas, as Horas foram cobertas por estuque.

A série é composta por 12 gravuras, 6 horas do dia e 6 da noite. Todas representam as horas com uma figura feminina com um objeto nas mãos, pairando sobre fundo preto, sobre uma predella (imagem na base) contendo uma pequena cena associada à hora em questão. Tratarei de cada uma abaixo, apresentando a interpretação de Sarah Hutchins Killikelly.

Veja as imagens de cada uma na página da George Glazer Gallery.
  • Ora Prima di Giorno. Carrega uma tocha com que desperta os dormentes e um buquê de rosas com que adorna diariamente o portão sul do Paraíso.
  • Ora Seconda di Giorno. Recebe o sol luminoso de braços abertos.
  • Ora Terza di Giorno. Traz um incensário como oferenda ao brilhante Júpiter, que governa mas regiões da luz, sob qual signo flutua.
  • Ora Quarta di Giorno. Carrega um relógio de sol, em símbolo das horas vespertinas.
  • Ora Quinta di Giorno. Carrega grãos e aponta para a lua que surge.
  • Ora Sesta di Giorno. Carrega flores e um morcego como um símbolo do crepúsculo.
  • Ora Prima di Notte. Carrega cabeças de papoula, soníferas, e uma coruja, a guardiã da Noite, com a Estrela D'alva surgindo no fundo.
  • Ora Seconda di Notte. Carrega uma ampulheta simbolizando a passagem do tempo.
  • Ora Terza di Notte. A meia-noite, sob o signo de Saturno, protege com seus panos um roedor noturno.
  • Ora Quarta di Notte. Com Vênus ao fundo, carrega uma coruja, sagrada para a deusa grega da sabedoria, Minerva, simbolizando os segredos que se revelam àqueles que procuram inspiração na placidez da noite.
  • Ora Quinta di Notte. Alada e coroada com flores, derrama orvalho de uma urna como símbolo das bençãos da noite.
  • Ora Sesta di Notte. Alada, personifica a promessa de um novo dia, com o planeta Mercúrio ao fundo, carregando um cisne que sugere Psiquê ascendendo para seu lar eterno.

18 de outubro de 2010

Horário de verão

Anúncio dos EUA em 2001: "Você não pode parar o tempo... Mas você pode voltá-lo uma hora às 2 da manhã em 28 de outubro quando o horário de verão termina e o horário padrão começa".

A partir da zero hora do terceiro domingo de outubro de cada ano -- que foi ontem, para este ano --  a hora legal do Brasil foi adiantada em sessenta minutos, até a zero hora do terceiro domingo de fevereiro do ano que vem (20/02/2010). Esses são os termos do Decreto nº. 6.558 de 8 de setembro de 2008, que institui a "hora de verão" ou horário de verão.

A prática de ajustar as horas ao período iluminado do dia é antiga. Em Roma, por exemplo, o período iluminado era dividido em doze partes iguais, independente de quanto durassem, com os medidores de tempo contando com escalas específicas para períodos diferentes do ano. Assim, no solstício de inverno, o período diurno tinha uma "hora" de cerca de 45 minutos, para um total de cerca de 9 horas reais. No solstício de verão, era o inverso: o período diurno ficava com a "hora" tendo 1 hora e 15 minutos para um total de 15 horas reais.

O estadista estadunidense Benjamin Franklin (1706-1790), durante estadia diplomática na França, publicou em 1784 carta anônima satírica sugerindo que os parisienses economizariam se levantassem mais cedo e aproveitassem a manhã. Suas propostas incluíam a tributação de cortinas e persianas, o racionamento de velas e despertar o povo soando sinos de igreja e disparando canhões ao amanhecer.

George Vernon Hudson
O horário de verão foi proposto pelo entomologista neo-zelandês George Vernon Hudson (1867-1946). Ele aproveitava as horas após o trabalho para coletar insetos e percebeu como eram valiosas as horas de sol. Em 1895 escreveu proposta à Wellington Philosophical Society de uma mudança de duas horas no turno para aproveitamento da luz do sol, dando sequência ao estudo em 1898. O inventor britânico William Willett (1856-1915) fez proposta semelhante em 1907, visando economia e prolongar seus jogos de golfe; ele é geral e erroneamente apontado como o inventor da ideia. Seu panfleto The Waste of Daylight teve dezenove edições, e sua defesa da medida rendeu um memorial em seu nome, um relógio de sol eternamente em horário de verão.

Os primeiros a adotarem o horário de verão foram a Alemanha (sommerzeit, literalmente "hora de verão") e seus aliados na Primeira Guerra Mundial, em 30 de abril de 1916. A medida visava economizar carvão durante a guerra. Nos anos seguintes a maioria da Europa fez o mesmo, com a Rússia aderindo em 1917 e os EUA em 1918.

A medida originalmente visava não apenas garantir horas adicionais de luz para atividades vespertinas, mas também economizar energia elétrica, reduzindo o uso de iluminação incandescente no fim da tarde. Todavia, desde 1975 vários estudos foram realizados e determinaram que não há economia significativa, principalmente com o advento de novas práticas e tecnologias de iluminação.

O horário de verão traz efeitos econômicos. Lojas se beneficiam porque as pessoas compram mais, principalmente produtos de entretenimento e esportes. Por outro lado, a mudança de horário pode prejudicar índices de audiência do horário nobre da televisão, frequência a cinemas e teatros e produção agrária, devido aos horários da mão-de-obra não se adequarem ao comportamento das lavouras.

Correlações entre o horário de verão e efeitos sobre a saúde e fatalidades vem sendo pesquisadas. A saúde pode ser afetada pela maior exposição ao sol e perturbações do sono. Durante a aplicação da medida, há indícios de que ocorrem menos acidentes automobilísticos fatais, mas pesquisas relacionadas à criminalidade foram inconclusivas. Vários países usam as datas de aplicação da medida para campanhas de atividades públicas, como praticar rotinas contra desastres, manutenção de equipamentos (por exemplo, detectores de fumaça ou termostatos), vacinações sazonais ou descarte de materiais perigosos.

Recentemente, o principal efeito procurado com a medida tem sido a atenuação do consumo de energia elétrica durante o chamado horário de ponta, o período do dia em que as pessoas retornam para casa. No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico indica que com a redução da demanda no horário de ponta, a operação do suistema elétrico fica mais segura e com menor custo.

O Brasil adotou a medida pela primeira vez em 1931, em todos os estados, repetindo em 1932. Depois novamente de 1949 a 1952, erraticamente de 1963 a 1967, e mais regularmente desde 1985. Desde 1989 o horário de verão não se aplica a todos os estados, e desde 2004 aplica-se somente às Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Veja a Expectativa de Resultados do Operador Nacional para uma linha do tempo, um mapa múndi da medida e outros detalhes.

15 de outubro de 2010

Na folhinha


Nossos dias, meses e anos são definidos por um sistema de mais de 400 anos de idade, mas as origens remontam aos métodos mais primitivos de marcação de tempo.

Os chamados calendários helênicos eram lunares, querendo dizer que estabeleciam doze meses conforme as fases da lua. Como regra geral, o primeiro dia era de lua nova, chamado noumenia. Cada região da Grécia Antiga fragmentada tinha seu próprio calendário, variando desde os nomes para os meses até o mês em que o ano começava. São calendários helênicos o ático, o beócio, o cretense, o délfico, o epirótico, o lacedemônio, o macedônico, o rodiano e o siciliano.

Muito mais do que mera influência, Roma notoriamente emprestou muitos elementos de sua cultura dos gregos, incluindo o calendário helênico. Entretanto, o primeiro calendário romano não era lunar. O chamado calendário de Rômulo teria sido criado pelo lendário fundador da cidade por volta de 753 AEC, iniciando com o equinócio de primavera. Os meses eram Martius, Aprilis, Maius, Iunius, Quintilis, Sextilis, September, October, November, December. O ano tinha 304 anos, com cerca de 61 dias de inverno que não pertenciam a mês algum. Os meses tinham três datas usadas para contar os dias: a calenda era o primeiro dia do mês e correspondia à lua nova -- e dá nome ao termo "calendário" --, a nona correspondia à meia lua e o ido correspondia à lua cheia.

O calendário de Rômulo foi reformado pelo seu sucessor Numa Pompílio (753-673 AEC) que inseriu dois meses, Ianuarius e Februarius e os tornou o início do ano, dissociando os nomes dos meses de Quintilis a December de suas ordens. Os romanos consideravam números ímpares como sendo de bom agouro, então distribuíram os dias de modo que os meses tivessem 31 ou 29 dias, ficando apenas Februarius com 28, totalizando um ano de 355 dias. Para ajustar o calendário ao ano solar, periodicamente era inserido um mês adicional depois de Februarius chamado de Mercedonius.
O calendário romano foi reformado por Júlio César (100-44 AEC) no calendário juliano, que passou a valer a partir de 45 AEC. Com a colaboração do astrônomo Sosígenes de Alexandria, a adaptação conformou o calendário ao ano solar ou tropical, de 365 dias divididos em 12 meses, com um dia adicionado a Februarius a cada 4 anos. O calendário ainda é usado pela Igreja Ortodoxa, particularmente no Monte Athos, na Grécia, e pelos Berberes ou Imazighen do norte da África.

O calendário hoje aceito como padrão internacional é o chamado gregoriano, ocidental ou cristão. Quem o instituiu foi o Papa Gregório XIII (1502-1585) através da bula Inter gravissimas de 24 de fevereiro de 1582. O calendário visava fixar as datas necessárias para calcular a Páscoa, nominalmente: o equinócio de primavera mais próximo de 21 de março; o "14º dia da lua" durante ou depois deste equinócio corresponder à lua cheia efetiva; e o primeiro domingo que segue essa lua.

A Reforma Protestante foi o principal fator a atrasar a adoção do novo calendário. Muitos países ainda anotaram datas nos dois sistemas por anos. Hoje ele é usado praticamente no mundo inteiro, inclusive havendo o chamado calendário gregoriano proléptico, ou seja, o uso do sistema para datas anteriores à sua isntituição em 1582.

Assim, os nomes que usamos para os meses podem ser melhor explicados:
  1. Janeiro: Ianuarius, inserido por Numa Pompílio, ganhou o nome de Jano, o deus das portas, começos e términos, usualmente representado com dois rostos ou cabeças.
  2. Fevereiro: Februarius, inserido por Numa Pompílio, era o mês da Februa ou Februatio, ritual de purificação com água, talvez em associação às chuvas da primavera.
  3. Março: Martius era o primeiro mês do calendário de Rômulo, com o nome de Marte, o deus da guerra. Marcava o início da primavera e também das campanhas militares.
  4. Abril: Aprilis era o segundo mês do calendário de Rômulo com nome de origem incerta. Hipóteses incluem a palavra latina aprire, "abrir", em referências às flores que abriam no mês, ou como aphrilis denotando a dedicação do mês a Afrodite, deusa do amor e da beleza.
  5. Maio: Maius era o terceiro mês do calendário de Rômulo, com o nome devido ao festival da deusa greco-romana Maia que nele ocorria. Outra hipótese é de que o nome faz referência a maiores, ou anciões.
  6. Junho: Iunius era o quarto mês do calendário de Rômulo, com o nome da deusa romana Juno, correspondente à Hera grega, rainha dos deuses. Outra hipótese, associada à do mês anterior, é de que o nome faz referência aos iuniores, ou jovens.
  7. Julho: O quinto mês do calendário de Rômulo, Quintilis, foi renomeado Iulius após a morte de Júlio César Augusto (63 AEC-14 EC) em sua homenagem.
  8. Agosto: O sexto mês do calendário de Rômulo, Sextilis, foi renomeado Augustus após a morte de Júlio César Augusto (63 AEC-14 EC) em sua homenagem.
  9. Setembro: September, com nome devido a ser originalmente o sétimo mês do calendário de Rômulo.
  10. Outubro: October, com nome devido a ser originalmente o oitavo mês do calendário de Rômulo.
  11. Novembro: November, com nome devido a ser originalmente o nono mês do calendário de Rômulo.
  12. Dezembro: December, com nome devido a ser originalmente o décimo mês do calendário de Rômulo.

8 de outubro de 2010

10 de outubro

O próximo domingo, dia 10 de outubro de 2010, será uma peculiaridade calendariana, uma coinciência matemática similar à do Dia Sequencial em 8 de setembro.

Um Dia Simétrico* ocorre quando os dois dígitos para dia, mês e ano são iguais: 10/10/10. Como para o Dia Sequencial, o limite para ocorrências de Dias Simétricos* é o dígito correspondente ao mês, que só pode ir de 1 a 12. Assim, há uma janela recorrente de 12 anos em que podem ocorrer dias simétricos:

01/01/01: ocorreu em 1901 e 2001 e só ocorrerá novamente em 2101;
02/02/02: ocorreu em 1902 e 2002 e só ocorrerá novamente em 2102;
03/03/03: ocorreu em 1903 e 2003 e só ocorrerá novamente em 2103;
04/04/04: ocorreu em 1904 e 2004 e só ocorrerá novamente em 2104;

05/05/05: ocorreu em 1905 e 2005 e só ocorrerá novamente em 2105;
06/06/06: ocorreu em 1906 e 2006 e só ocorrerá novamente em 2106;
07/07/07: ocorreu em 1907 e 2007 e só ocorrerá novamente em 2107;
08/08/08: ocorreu em 1908 e 2008 e só ocorrerá novamente em 2108;
09/09/09: ocorreu em 1909 e 2009 e só ocorrerá novamente em 2109;
10/10/10: ocorreu em 1910, ocorrerá agora em 2010 e depois só em 2110;
11/11/11 - ocorreu em 1911, ocorrerá em 2011 e depois só em 2111;
12/12/12 - ocorreu em 1912, ocorrerá em 2012 e depois só em 2112.

A coincidência pode ser incrementada considerando o horário integrado por hora, minuto e segundo, um único momento em que serão 10:10:10 do dia 10/10/10! Ou dois, se usar um relógio padrão 12 horas.



Em nota importante, 10/10/10 será o Dia Global de Soluções Climáticas. O evento é fruto de união de dois projetos:
  • 10:10, fundado pela britânica Franny Armstrong (1972-), diretora do excelente documentário "A Era da Estupidez" (2009), reúne pessoas dispostas a reduzir as próprias emissões de carbono em 10% em 2010. 
  • 350.org, fundada em 2007 pelo escritor e ativista estadunidense Bill McKibben (1960-), tem esse nome devido à pesquisa do cientista estadunidense James Hansen (1941-) de que o limite seguro para evitar mudanças climáticas é de 350 ppm (partes por milhão) de dióxido de carbono na atmosfera. Atualmente passamos das 390 ppm.
Por favor, use alguns poucos minutos para ler a carta convite, e tente rever seu estilo de vida e o que pode fazer para reduzir o impacto de suas ações sobre o clima e o ambiente. E lembre-se de que, se você pensa "porque eu me importaria se os outros não se importam", os outros podem pensar assim e, veja só, vão estar certos.

* (21/10/10) Como o comentário de Brontops esclarece abaixo, "Simétrico" está mal-colocado. Que tal "Dia Repetido"?

4 de outubro de 2010

Discos sobre o Tempo (2)

Esta é a continuação de uma lista de álbuns selecionados com temas ou peculiaridades relacionadas ao tempo.

 Who's Next - The Who (1971). O vocalista Pete Townshend planejava uma ópera rock intitulada Lifehouse como sequência à notória Tommy (1969), em um futuro onde o rock era proibido e praticado por selvagens opostos à sociedade que mantinha as pessoas entretidas como que em programas de televisão, recebendo entretenimento intravenoso. Os planos ousados para o espetáculo -- em que perfis dos ouvintes seriam transpostos para músicas personalizadas -- foram demais e as músicas planejadas renderam álbuns normais, a começar por este, e o projeto de "retratos musicais" The Lifehouse Method, hoje fora do ar. Faixa em Destaque: 1 - Baba O'Riley (Teenage Wasteland).
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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars - David Bowie (1972). Álbum conceito com trama de ficção científica: no futuro, os recursos naturais da Terra estão acabando e o mundo acabará em cinco anos, quando alienígenas (os "infinitos") anunciam a Ziggy, um roqueiro, que visitarão a Terra. Ziggy escreve "Starman" e faz sucesso, com seus fãs acreditando -- e fazendo ele acreditar -- que o homem das estrelas salvará a Terra. Ele acaba se degenerando com excessos de drogas e sexo. Os alienígenas chegam e não estão nem aí pra Terra: eles destróem Ziggy apenas para usar seus pedaços para aparecer no planeta. Faixa em destaque: 4 - Starman.
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Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die! - Jethro Tull (1976). Originalmente as músicas do álbum deviam acompanhar a história em quadrinhos que acompanha o disco, mas algumas diferem bastante. A estória acompanha Ray Lomas, um roqueiro aposentado que ganha dinheiro em um show de perguntas, que resolve se suicidar quando percebe que não pode desfrutar da riqueza como antigamente. Ele sobrevive e quando acorda depois de anos em coma, a sociedade mudou e seu estilo está de volta, com uma cirurgia plástica fazendo ele parecer vinte anos mais novo. O líder Ian Anderson confessa que a trama é autobiográfica. Faixa em destaque: 8 - Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die!
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1999 - Prince (1982). O quinto álbum de Prince, lançado no Brasil como um disco duplo. Nele estreou The Revolution, a banda que o acompanharia em várias ocasiões futuras. O projeto visionário de trazer um som do futuro foi bem-sucedido. O álbum é indicado como um de seus álbuns mais influentes e um dos melhores de todos os tempos em várias listas. As músicas foram influenciadas pelo filme Blade Runner e explora temas da Era Informática. Faixa em destaque: 1 - 1999.

What Time Is It - The Time (1982). Falando em Prince, sinto-me obrigado a incluir a banda começou como seu projeto paralelo, The Time, de que participa como "Jamie Starr". Em 1999 (mencionado acima) na música D.M.S.R., ele acusa a si mesmo de plágio: "Jamie Starr's a thief | It's time to fix your clock". Depois de muito atrito com o fundador, a banda tornaria-se independente. Faixa em destaque: 4 - The Walk.

Kilroy Was Here - Styx (1983). Álbum conceito sobre um futuro em que o rock é proibido por um governo fascista e pela MMM -- Maioria pela Moralidade Musical. Kilroy, uma antiga estrela do rock, foge da prisão do Dr. Righteous, líder da MMM, disfarçando-se como um dos robôs usados pelo regime. Kilroy junta-se a Jonathan Chance, um jovem músico, para tentar trazer o rock de volta. Faixa em destaque: 1 - Mr. Roboto.

Persistence of Time - Anthrax (1990). Quinto álbum da banda de trash metal estadunidense, menos cômico que os anteriores. O tema do Tempo permeia as letras, desde a primeira faixa, passando por um diálogo de um episódio de viagem no tempo de "Além da Imaginação" abrindo a faixa "Intro to Reality", até o cover de Joe Jackson "Got the Time". Faixa em destaque: 1 - Time.

Episode - Stratovarius (1996). Considerei o Tempo melhor explorado neste quinto álbum da banda de power metal finlandesa, a despeito do quarto ser chamado de Fourth Dimension, este trazendo títulos mais tétricos e um tratamento mais futurista. Aqui o Tempo é mencionado da mudança (Episode, Season of Change) e a incerteza (Will The Sun Rise?, Uncertainty, Tomorrow) que traz até a vastidão da eternidade (Eternity, Forever). Faixa em destaque: 1 - Father Time.