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29 de outubro de 2010

Lendo os tempos

É comum encontrar jornais com nomes contendo o termo times, em inglês "tempos". Tendo por propósito documentar fatos e o cotidiano de maneira periódica e continuada, é evidente a escolha do termo: o jornal torna-se fonte valiosa para a compreensão da época de sua publicação, não só pelos fatos documentados, mas também pelas imagens, pelos anúncios e pela linguagem que utiliza.

Antes de empregar o termo propriamente dito, um dos primeiros jornais do mundo já continha referência ao termo "tempo". Trata-se do Avisa Relation oder Zeitung, publicado na Alemanha em 1609. Zeitung significa "jornal" em alemão, com a etimologia do termo contendo zeit, "tempo". Há um jornal alemão chamado Die Zeit, publicado desde 1946.


Em Londres, John Walter (1738-1812) fundou o jornal The Daily Universal Register em 1º de janeiro de 1785, que exatamente 3 anos depois mudou de nome para The Times, o primeiro jornal a empregar o termo e o responsável por sua difusão. O jornal reúne vários feitos importantes e curiosos. Sua grande influência deve-se em parte a ter adotado cedo a imprensa rotativa a vapor e à distribuição por trens a vapor. Wickham Steed (1871-1956) fez uma série curiosa de editoriais, em 1914 opinando pelo ingresso do Império Britânico na Primeira Guerra Mundial, em 1920 acreditando nos Protocolos dos Sábios do Sião e chamando os judeus de "o maior perigo do mundo", e em 1921, quando um correspondente do próprio jornal expôs os Protocolos como falsificação, retratando-se pelo anterior. É considerado o primeiro jornal a empregar correspondentes de guerra, tendo enviado o repórter irlandês William Howard Russell (1820-1907) para cobrir a Guerra da Crimeia (1853-1856, entre Rússia e uma aliança anglo-francesa pela ocupação da Terra Santa). Em 1931, Stanley Morison (1889-1967) criticou a impressão e tipografia do jornal, que o contratou para desenvolver uma nova fonte tipográfica, a conhecida Times New Roman. O escritor George Orwell (1903-1950) tornou o jornal o órgão do Grande Irmão em seu romance "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro", e Ian Fleming (1908-1964) tornou-o "o único jornal que [James] Bond lia". O jornal é publicado até hoje.


Nos Estados Unidos, uma das "crias" do The Times tornou-se tão difundido que o jornal londrino é lá chamado de The London Times ou Times of London. Em 18 de setembro de 1851, Henry Jarvis Raymond (1820-1869) fundou o New-York Daily Times, que mudou de nome para The New York Times em 1857. Em 1897 seu recente aquisidor, Adolph Ochs (1858-1935) cunhou o slogan que figura até hoje à esquerda do título: "All The News That's Fit to Print" ("Todas as notícias que se cabe imprimir"). Em 1904, o edifício de nº 1475 da Broadway tornou-se a quarta sede do jornal, no lugar chamado de Longacre Square que foi rebatizado, a partir daquela data, de Times Square. O jornal é o maior ganhador de Prêmios Pulitzer, atualmente com 101. O jornal é publicado até hoje.


Briton Hadden (1898-1929) e Henry Luce (1898-1967) criaram em 1923 a primeira revista semanal de notícias dos Estados Unidos, cujo título evidenciará a razão de sua menção neste artigo: a revista Time. A proposta da revista era contar as notícias focando em pessoas, e por muitas décadas a capa era dedicada a uma pessoa específica. Desde 1927, a revista elege a "Pessoa do Ano", a personalidade mais expressiva, fossem concretas ou abstratas, por bons ou maus motivos. A lista inclui Gandhi, João Paulo II, Martin Luther King, Hitler, o Aiatolá Khomeini, o Computador, a Terra Ameaçada, e Você. Em 1999 foi escolhida a pessoa do século: o cientista alemão Albert Einstein (1879-1955), por ser "o maior cientista de um século dominado pela ciência". A Time, Inc., companhia responsável pela revista, tornou-se parte do que é hoje o maior conglomerado de mídia do mundo e o segundo maior de entretenimento (depois da Disney), tendo se fundido com a Warner Communications em 1989 para formar o grupo Time Warner, adquirido pela AOL em 2000 formando a AOL Time Warner, que em 2003 reverteu o nome para Time Warner.

25 de outubro de 2010

De Chirico e o Tempo

O pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978) fundou, com Carlo Carrà (1881-1966) a Pittura metafisica e foi, através dela, um dos precursores do Surrealismo e do Dadaísmo. Sua obra é marcada pela exploração da melancolia e, em grau menor, pelo interesse no Tempo. Influência marcante sobre a arte que precedeu, De Chirico também foi escritor, com destaque para o romance Hebdomeros, uma narrativa surrealista em que evoca as mesmas imagens oníricas e fugazes que pintava.

 Em L'enigma dell'ora ("O Enigma da Hora", 1911), De Chirico emprega a alta formação de arcos e colunas como um símbolo para o afastamento entre o humano e o divino, elemento recorrente em sua obra (evidente em "O Enigma do Oráculo", de 1910). Os elementos alusivos ao Tempo, também recorrentes, como ficará evidente nas peças seguintes, são o relógio e a fonte. O relógio simboliza a morte, e a fonte representa o eterno retorno ou tempo circular. As duas figuras (clara e outra sombria) contemplam a fonte representando a melancolia dos homens alienados pelo tempo, pela morte e esquecidos pelos deuses. O relógio marca 14h55.

Em "As Delícias do Poeta" (1912), De Chirico coloca o tempo novamente no centro da composição. A presença de um trem (atrás do muro, à direita) em suas obras evoca a força da juventude, mas também a linearidade do Tempo, observada pela forma fantasmagórica solitária e impotente no pátio. O amplo terreno deserto é explicitamente monótono, maximizado pela eliminação do horizonte e pelas sombras, principalmente as que indicam que os prédios estão vazios. A fonte é uma alusão ao eterno retorno, ou tempo circular, contraposto ao tempo linear: uma alternativa ou "algo que poderia ser", mas talvez pelo isolamento do elemento venha não para contestar, mas para reforçar a ideia de linearidade, que termina na morte.

Em Gare Montparnasse (1914), também chamado de "Melancolia da Partida" (não confundir com a peça homônima de 1916), reaparecem o trem, as figuras contempladoras, a vastidão monocromática invadida por sombras, as altas colunas e arcos, a ausência do horizonte, o céu degradê distante. É uma das representações metafísicas de De Chirico, desta vez da estação de trem de mesmo nome em Paris. As bananas, perecíveis e imediatas, já haviam aparecido em "A Incerteza do Poeta" e "O Sonho Transformado", ambas de 1913.

Veja também o apêndice de Kathleen Toohey sobre De Chirico do livro Melancholy, Love and Time: Boundaries of the Self in Ancient Literature.

22 de outubro de 2010

Horas do Dia e da Noite, de Rafael (?)


Um achado fortuito, algumas gravuras emolduradas em um restaurante em que fui almoçar. O título de uma delas: "Ora Seconda del Giorno", italiano para "Hora Segunda do Dia". O autor: Rafael Sanzio. Fiz uma anotação para pesquisar sobre o que parecia ser uma série de pinturas diretamente relacionada ao Tempo, pelo grande mestre renascentista. Não foi o que encontrei. Após alguma pesquisa, descobri as gravuras em um catálogo online, e também em um antigo catálogo de coleções de Harvard. Vou tentar resumi-la.

Rafael, ou Raffaello Sanzio da Urbino (1483-1520) -- um dos três principais gênios do Cinquecento ou Alta Renascença, os outros sendo Michelangelo e Leonardo da Vinci -- teria realizado afrescos representando horas do dia e da noite no teto do Appartamento Borgia, aposentos do Palácio Apostólico adaptados para uso pessoal do Papa Alexandre VI, Rodrigo de Borgia (1431-1503). Mas a teoria dos estudiosos Joseph Archer Crowe e Giovanni Battista Cavalcaselle é a de que Rafael fez apenas os desenhos iniciais, replicando imagens femininas idênticas às encontradas em antigos murais romanos, deixando os afrescos para serem feitos por seus aprendizes. A teoria é apoiada sobre "uma rara impressão por Montagnani" de 1790, mostrando as decorações no teto dos aposentos com "afrescos das doze figuras das Horas em grupos de três, em dois lados do retângulo, repousando, como chegou a nós nas lâminas de cobre gravados por Fosseyeux e seus camaradas em 1805 e 1806, não no ar, mas em flores elevando-se de meandros antigos". Segundo eles, logo após as impressões serem feitas, as Horas foram cobertas por estuque.

A série é composta por 12 gravuras, 6 horas do dia e 6 da noite. Todas representam as horas com uma figura feminina com um objeto nas mãos, pairando sobre fundo preto, sobre uma predella (imagem na base) contendo uma pequena cena associada à hora em questão. Tratarei de cada uma abaixo, apresentando a interpretação de Sarah Hutchins Killikelly.

Veja as imagens de cada uma na página da George Glazer Gallery.
  • Ora Prima di Giorno. Carrega uma tocha com que desperta os dormentes e um buquê de rosas com que adorna diariamente o portão sul do Paraíso.
  • Ora Seconda di Giorno. Recebe o sol luminoso de braços abertos.
  • Ora Terza di Giorno. Traz um incensário como oferenda ao brilhante Júpiter, que governa mas regiões da luz, sob qual signo flutua.
  • Ora Quarta di Giorno. Carrega um relógio de sol, em símbolo das horas vespertinas.
  • Ora Quinta di Giorno. Carrega grãos e aponta para a lua que surge.
  • Ora Sesta di Giorno. Carrega flores e um morcego como um símbolo do crepúsculo.
  • Ora Prima di Notte. Carrega cabeças de papoula, soníferas, e uma coruja, a guardiã da Noite, com a Estrela D'alva surgindo no fundo.
  • Ora Seconda di Notte. Carrega uma ampulheta simbolizando a passagem do tempo.
  • Ora Terza di Notte. A meia-noite, sob o signo de Saturno, protege com seus panos um roedor noturno.
  • Ora Quarta di Notte. Com Vênus ao fundo, carrega uma coruja, sagrada para a deusa grega da sabedoria, Minerva, simbolizando os segredos que se revelam àqueles que procuram inspiração na placidez da noite.
  • Ora Quinta di Notte. Alada e coroada com flores, derrama orvalho de uma urna como símbolo das bençãos da noite.
  • Ora Sesta di Notte. Alada, personifica a promessa de um novo dia, com o planeta Mercúrio ao fundo, carregando um cisne que sugere Psiquê ascendendo para seu lar eterno.

18 de outubro de 2010

Horário de verão

Anúncio dos EUA em 2001: "Você não pode parar o tempo... Mas você pode voltá-lo uma hora às 2 da manhã em 28 de outubro quando o horário de verão termina e o horário padrão começa".

A partir da zero hora do terceiro domingo de outubro de cada ano -- que foi ontem, para este ano --  a hora legal do Brasil foi adiantada em sessenta minutos, até a zero hora do terceiro domingo de fevereiro do ano que vem (20/02/2010). Esses são os termos do Decreto nº. 6.558 de 8 de setembro de 2008, que institui a "hora de verão" ou horário de verão.

A prática de ajustar as horas ao período iluminado do dia é antiga. Em Roma, por exemplo, o período iluminado era dividido em doze partes iguais, independente de quanto durassem, com os medidores de tempo contando com escalas específicas para períodos diferentes do ano. Assim, no solstício de inverno, o período diurno tinha uma "hora" de cerca de 45 minutos, para um total de cerca de 9 horas reais. No solstício de verão, era o inverso: o período diurno ficava com a "hora" tendo 1 hora e 15 minutos para um total de 15 horas reais.

O estadista estadunidense Benjamin Franklin (1706-1790), durante estadia diplomática na França, publicou em 1784 carta anônima satírica sugerindo que os parisienses economizariam se levantassem mais cedo e aproveitassem a manhã. Suas propostas incluíam a tributação de cortinas e persianas, o racionamento de velas e despertar o povo soando sinos de igreja e disparando canhões ao amanhecer.

George Vernon Hudson
O horário de verão foi proposto pelo entomologista neo-zelandês George Vernon Hudson (1867-1946). Ele aproveitava as horas após o trabalho para coletar insetos e percebeu como eram valiosas as horas de sol. Em 1895 escreveu proposta à Wellington Philosophical Society de uma mudança de duas horas no turno para aproveitamento da luz do sol, dando sequência ao estudo em 1898. O inventor britânico William Willett (1856-1915) fez proposta semelhante em 1907, visando economia e prolongar seus jogos de golfe; ele é geral e erroneamente apontado como o inventor da ideia. Seu panfleto The Waste of Daylight teve dezenove edições, e sua defesa da medida rendeu um memorial em seu nome, um relógio de sol eternamente em horário de verão.

Os primeiros a adotarem o horário de verão foram a Alemanha (sommerzeit, literalmente "hora de verão") e seus aliados na Primeira Guerra Mundial, em 30 de abril de 1916. A medida visava economizar carvão durante a guerra. Nos anos seguintes a maioria da Europa fez o mesmo, com a Rússia aderindo em 1917 e os EUA em 1918.

A medida originalmente visava não apenas garantir horas adicionais de luz para atividades vespertinas, mas também economizar energia elétrica, reduzindo o uso de iluminação incandescente no fim da tarde. Todavia, desde 1975 vários estudos foram realizados e determinaram que não há economia significativa, principalmente com o advento de novas práticas e tecnologias de iluminação.

O horário de verão traz efeitos econômicos. Lojas se beneficiam porque as pessoas compram mais, principalmente produtos de entretenimento e esportes. Por outro lado, a mudança de horário pode prejudicar índices de audiência do horário nobre da televisão, frequência a cinemas e teatros e produção agrária, devido aos horários da mão-de-obra não se adequarem ao comportamento das lavouras.

Correlações entre o horário de verão e efeitos sobre a saúde e fatalidades vem sendo pesquisadas. A saúde pode ser afetada pela maior exposição ao sol e perturbações do sono. Durante a aplicação da medida, há indícios de que ocorrem menos acidentes automobilísticos fatais, mas pesquisas relacionadas à criminalidade foram inconclusivas. Vários países usam as datas de aplicação da medida para campanhas de atividades públicas, como praticar rotinas contra desastres, manutenção de equipamentos (por exemplo, detectores de fumaça ou termostatos), vacinações sazonais ou descarte de materiais perigosos.

Recentemente, o principal efeito procurado com a medida tem sido a atenuação do consumo de energia elétrica durante o chamado horário de ponta, o período do dia em que as pessoas retornam para casa. No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico indica que com a redução da demanda no horário de ponta, a operação do suistema elétrico fica mais segura e com menor custo.

O Brasil adotou a medida pela primeira vez em 1931, em todos os estados, repetindo em 1932. Depois novamente de 1949 a 1952, erraticamente de 1963 a 1967, e mais regularmente desde 1985. Desde 1989 o horário de verão não se aplica a todos os estados, e desde 2004 aplica-se somente às Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Veja a Expectativa de Resultados do Operador Nacional para uma linha do tempo, um mapa múndi da medida e outros detalhes.

15 de outubro de 2010

Na folhinha


Nossos dias, meses e anos são definidos por um sistema de mais de 400 anos de idade, mas as origens remontam aos métodos mais primitivos de marcação de tempo.

Os chamados calendários helênicos eram lunares, querendo dizer que estabeleciam doze meses conforme as fases da lua. Como regra geral, o primeiro dia era de lua nova, chamado noumenia. Cada região da Grécia Antiga fragmentada tinha seu próprio calendário, variando desde os nomes para os meses até o mês em que o ano começava. São calendários helênicos o ático, o beócio, o cretense, o délfico, o epirótico, o lacedemônio, o macedônico, o rodiano e o siciliano.

Muito mais do que mera influência, Roma notoriamente emprestou muitos elementos de sua cultura dos gregos, incluindo o calendário helênico. Entretanto, o primeiro calendário romano não era lunar. O chamado calendário de Rômulo teria sido criado pelo lendário fundador da cidade por volta de 753 AEC, iniciando com o equinócio de primavera. Os meses eram Martius, Aprilis, Maius, Iunius, Quintilis, Sextilis, September, October, November, December. O ano tinha 304 anos, com cerca de 61 dias de inverno que não pertenciam a mês algum. Os meses tinham três datas usadas para contar os dias: a calenda era o primeiro dia do mês e correspondia à lua nova -- e dá nome ao termo "calendário" --, a nona correspondia à meia lua e o ido correspondia à lua cheia.

O calendário de Rômulo foi reformado pelo seu sucessor Numa Pompílio (753-673 AEC) que inseriu dois meses, Ianuarius e Februarius e os tornou o início do ano, dissociando os nomes dos meses de Quintilis a December de suas ordens. Os romanos consideravam números ímpares como sendo de bom agouro, então distribuíram os dias de modo que os meses tivessem 31 ou 29 dias, ficando apenas Februarius com 28, totalizando um ano de 355 dias. Para ajustar o calendário ao ano solar, periodicamente era inserido um mês adicional depois de Februarius chamado de Mercedonius.
O calendário romano foi reformado por Júlio César (100-44 AEC) no calendário juliano, que passou a valer a partir de 45 AEC. Com a colaboração do astrônomo Sosígenes de Alexandria, a adaptação conformou o calendário ao ano solar ou tropical, de 365 dias divididos em 12 meses, com um dia adicionado a Februarius a cada 4 anos. O calendário ainda é usado pela Igreja Ortodoxa, particularmente no Monte Athos, na Grécia, e pelos Berberes ou Imazighen do norte da África.

O calendário hoje aceito como padrão internacional é o chamado gregoriano, ocidental ou cristão. Quem o instituiu foi o Papa Gregório XIII (1502-1585) através da bula Inter gravissimas de 24 de fevereiro de 1582. O calendário visava fixar as datas necessárias para calcular a Páscoa, nominalmente: o equinócio de primavera mais próximo de 21 de março; o "14º dia da lua" durante ou depois deste equinócio corresponder à lua cheia efetiva; e o primeiro domingo que segue essa lua.

A Reforma Protestante foi o principal fator a atrasar a adoção do novo calendário. Muitos países ainda anotaram datas nos dois sistemas por anos. Hoje ele é usado praticamente no mundo inteiro, inclusive havendo o chamado calendário gregoriano proléptico, ou seja, o uso do sistema para datas anteriores à sua isntituição em 1582.

Assim, os nomes que usamos para os meses podem ser melhor explicados:
  1. Janeiro: Ianuarius, inserido por Numa Pompílio, ganhou o nome de Jano, o deus das portas, começos e términos, usualmente representado com dois rostos ou cabeças.
  2. Fevereiro: Februarius, inserido por Numa Pompílio, era o mês da Februa ou Februatio, ritual de purificação com água, talvez em associação às chuvas da primavera.
  3. Março: Martius era o primeiro mês do calendário de Rômulo, com o nome de Marte, o deus da guerra. Marcava o início da primavera e também das campanhas militares.
  4. Abril: Aprilis era o segundo mês do calendário de Rômulo com nome de origem incerta. Hipóteses incluem a palavra latina aprire, "abrir", em referências às flores que abriam no mês, ou como aphrilis denotando a dedicação do mês a Afrodite, deusa do amor e da beleza.
  5. Maio: Maius era o terceiro mês do calendário de Rômulo, com o nome devido ao festival da deusa greco-romana Maia que nele ocorria. Outra hipótese é de que o nome faz referência a maiores, ou anciões.
  6. Junho: Iunius era o quarto mês do calendário de Rômulo, com o nome da deusa romana Juno, correspondente à Hera grega, rainha dos deuses. Outra hipótese, associada à do mês anterior, é de que o nome faz referência aos iuniores, ou jovens.
  7. Julho: O quinto mês do calendário de Rômulo, Quintilis, foi renomeado Iulius após a morte de Júlio César Augusto (63 AEC-14 EC) em sua homenagem.
  8. Agosto: O sexto mês do calendário de Rômulo, Sextilis, foi renomeado Augustus após a morte de Júlio César Augusto (63 AEC-14 EC) em sua homenagem.
  9. Setembro: September, com nome devido a ser originalmente o sétimo mês do calendário de Rômulo.
  10. Outubro: October, com nome devido a ser originalmente o oitavo mês do calendário de Rômulo.
  11. Novembro: November, com nome devido a ser originalmente o nono mês do calendário de Rômulo.
  12. Dezembro: December, com nome devido a ser originalmente o décimo mês do calendário de Rômulo.

8 de outubro de 2010

10 de outubro

O próximo domingo, dia 10 de outubro de 2010, será uma peculiaridade calendariana, uma coinciência matemática similar à do Dia Sequencial em 8 de setembro.

Um Dia Simétrico* ocorre quando os dois dígitos para dia, mês e ano são iguais: 10/10/10. Como para o Dia Sequencial, o limite para ocorrências de Dias Simétricos* é o dígito correspondente ao mês, que só pode ir de 1 a 12. Assim, há uma janela recorrente de 12 anos em que podem ocorrer dias simétricos:

01/01/01: ocorreu em 1901 e 2001 e só ocorrerá novamente em 2101;
02/02/02: ocorreu em 1902 e 2002 e só ocorrerá novamente em 2102;
03/03/03: ocorreu em 1903 e 2003 e só ocorrerá novamente em 2103;
04/04/04: ocorreu em 1904 e 2004 e só ocorrerá novamente em 2104;

05/05/05: ocorreu em 1905 e 2005 e só ocorrerá novamente em 2105;
06/06/06: ocorreu em 1906 e 2006 e só ocorrerá novamente em 2106;
07/07/07: ocorreu em 1907 e 2007 e só ocorrerá novamente em 2107;
08/08/08: ocorreu em 1908 e 2008 e só ocorrerá novamente em 2108;
09/09/09: ocorreu em 1909 e 2009 e só ocorrerá novamente em 2109;
10/10/10: ocorreu em 1910, ocorrerá agora em 2010 e depois só em 2110;
11/11/11 - ocorreu em 1911, ocorrerá em 2011 e depois só em 2111;
12/12/12 - ocorreu em 1912, ocorrerá em 2012 e depois só em 2112.

A coincidência pode ser incrementada considerando o horário integrado por hora, minuto e segundo, um único momento em que serão 10:10:10 do dia 10/10/10! Ou dois, se usar um relógio padrão 12 horas.



Em nota importante, 10/10/10 será o Dia Global de Soluções Climáticas. O evento é fruto de união de dois projetos:
  • 10:10, fundado pela britânica Franny Armstrong (1972-), diretora do excelente documentário "A Era da Estupidez" (2009), reúne pessoas dispostas a reduzir as próprias emissões de carbono em 10% em 2010. 
  • 350.org, fundada em 2007 pelo escritor e ativista estadunidense Bill McKibben (1960-), tem esse nome devido à pesquisa do cientista estadunidense James Hansen (1941-) de que o limite seguro para evitar mudanças climáticas é de 350 ppm (partes por milhão) de dióxido de carbono na atmosfera. Atualmente passamos das 390 ppm.
Por favor, use alguns poucos minutos para ler a carta convite, e tente rever seu estilo de vida e o que pode fazer para reduzir o impacto de suas ações sobre o clima e o ambiente. E lembre-se de que, se você pensa "porque eu me importaria se os outros não se importam", os outros podem pensar assim e, veja só, vão estar certos.

* (21/10/10) Como o comentário de Brontops esclarece abaixo, "Simétrico" está mal-colocado. Que tal "Dia Repetido"?

4 de outubro de 2010

Discos sobre o Tempo (2)

Esta é a continuação de uma lista de álbuns selecionados com temas ou peculiaridades relacionadas ao tempo.

 Who's Next - The Who (1971). O vocalista Pete Townshend planejava uma ópera rock intitulada Lifehouse como sequência à notória Tommy (1969), em um futuro onde o rock era proibido e praticado por selvagens opostos à sociedade que mantinha as pessoas entretidas como que em programas de televisão, recebendo entretenimento intravenoso. Os planos ousados para o espetáculo -- em que perfis dos ouvintes seriam transpostos para músicas personalizadas -- foram demais e as músicas planejadas renderam álbuns normais, a começar por este, e o projeto de "retratos musicais" The Lifehouse Method, hoje fora do ar. Faixa em Destaque: 1 - Baba O'Riley (Teenage Wasteland).
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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars - David Bowie (1972). Álbum conceito com trama de ficção científica: no futuro, os recursos naturais da Terra estão acabando e o mundo acabará em cinco anos, quando alienígenas (os "infinitos") anunciam a Ziggy, um roqueiro, que visitarão a Terra. Ziggy escreve "Starman" e faz sucesso, com seus fãs acreditando -- e fazendo ele acreditar -- que o homem das estrelas salvará a Terra. Ele acaba se degenerando com excessos de drogas e sexo. Os alienígenas chegam e não estão nem aí pra Terra: eles destróem Ziggy apenas para usar seus pedaços para aparecer no planeta. Faixa em destaque: 4 - Starman.
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Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die! - Jethro Tull (1976). Originalmente as músicas do álbum deviam acompanhar a história em quadrinhos que acompanha o disco, mas algumas diferem bastante. A estória acompanha Ray Lomas, um roqueiro aposentado que ganha dinheiro em um show de perguntas, que resolve se suicidar quando percebe que não pode desfrutar da riqueza como antigamente. Ele sobrevive e quando acorda depois de anos em coma, a sociedade mudou e seu estilo está de volta, com uma cirurgia plástica fazendo ele parecer vinte anos mais novo. O líder Ian Anderson confessa que a trama é autobiográfica. Faixa em destaque: 8 - Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die!
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1999 - Prince (1982). O quinto álbum de Prince, lançado no Brasil como um disco duplo. Nele estreou The Revolution, a banda que o acompanharia em várias ocasiões futuras. O projeto visionário de trazer um som do futuro foi bem-sucedido. O álbum é indicado como um de seus álbuns mais influentes e um dos melhores de todos os tempos em várias listas. As músicas foram influenciadas pelo filme Blade Runner e explora temas da Era Informática. Faixa em destaque: 1 - 1999.

What Time Is It - The Time (1982). Falando em Prince, sinto-me obrigado a incluir a banda começou como seu projeto paralelo, The Time, de que participa como "Jamie Starr". Em 1999 (mencionado acima) na música D.M.S.R., ele acusa a si mesmo de plágio: "Jamie Starr's a thief | It's time to fix your clock". Depois de muito atrito com o fundador, a banda tornaria-se independente. Faixa em destaque: 4 - The Walk.

Kilroy Was Here - Styx (1983). Álbum conceito sobre um futuro em que o rock é proibido por um governo fascista e pela MMM -- Maioria pela Moralidade Musical. Kilroy, uma antiga estrela do rock, foge da prisão do Dr. Righteous, líder da MMM, disfarçando-se como um dos robôs usados pelo regime. Kilroy junta-se a Jonathan Chance, um jovem músico, para tentar trazer o rock de volta. Faixa em destaque: 1 - Mr. Roboto.

Persistence of Time - Anthrax (1990). Quinto álbum da banda de trash metal estadunidense, menos cômico que os anteriores. O tema do Tempo permeia as letras, desde a primeira faixa, passando por um diálogo de um episódio de viagem no tempo de "Além da Imaginação" abrindo a faixa "Intro to Reality", até o cover de Joe Jackson "Got the Time". Faixa em destaque: 1 - Time.

Episode - Stratovarius (1996). Considerei o Tempo melhor explorado neste quinto álbum da banda de power metal finlandesa, a despeito do quarto ser chamado de Fourth Dimension, este trazendo títulos mais tétricos e um tratamento mais futurista. Aqui o Tempo é mencionado da mudança (Episode, Season of Change) e a incerteza (Will The Sun Rise?, Uncertainty, Tomorrow) que traz até a vastidão da eternidade (Eternity, Forever). Faixa em destaque: 1 - Father Time.

2 de outubro de 2010

Quanto dura a vida dos animais


Enquanto o homem geralmente é indicado como tendo vida máxima de 100 anos, outras formas de vida tem expectativas diferentes. Segue abaixo uma lista de animais e suas respectivas vidas médias e máximas, indicada em anos se não houver menção diversa.

                   Vida Média  Vida Máxima
Abelha (operária)...1-3 meses......6 meses
Aranha......................1............3
Baleia.....................60..........120
Bode, ovelha...............10...........15
Boi........................15...........25
Camelo.....................15...........40
Canário, ganso, pato.......15...........25
Canguru.....................8...........20
Cão, lobo..................13...........20
Capivara, coelho............5...........12
Cavalo, burro..............20...........45
Cervo......................10...........35
Chimpanzé, gorila..........30...........60
Cobra......................20...........30
Elefante...................35...........75
Formiga (operária)..........1............3
Galinha.....................8...........15
Gato, tigre................13...........25
Girafa.....................10...........30
Golfinho...................25...........50
Hipopótamo.................30...........50
Jabuti.....................80..........100
Leão.......................15...........30
Macaco.....................15...........30
Morcego....................20...........30
Mosca...............3 semanas........1 mês
Papagaio...................50...........80
Pombo......................10...........35
Porco......................10...........25
Raposa.....................10...........15
Rato........................2............4
Sapo.......................15...........40
Tartaruga.................100..........125
Urso.......................20...........50

Adwaita
Dentre os animais capazes de maior vida, estão:
  • Esponjas da classe Demospongiae crescem à taxa de 0,2 milímetros por ano, com espécimes de 1 metro de diâmetro podendo ter cerca de 5000 anos; mesmo que uma extrapolação, a espécie Cynachira antartica foi estimada como tendo 1550 anos.
  • Ostras, como um exemplar da espécie Arctica islandica, com vida estimada de 405-410 anos;
  • Tartarugas gigantes, como Adwaita (1750?-2006), que viveu por 255 anos. Ela foi mascote do general inglês Robert Clive (1725-1774), o "Clive da Índia".
  • Carpas, como Hanako (1751?-1977), um peixe koi que morreu com 226 anos.