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9 de janeiro de 2014

Ano novo, projeto novo

 
   Após um ano de pausa nas publicações para resolver uma série de assuntos pessoais, para 2014 meu projeto é o livro Arquivos de Guerra.
   Dentre minhas colaborações para a Revista Lama está O Caso da Morte do Mutreta. A ideia para o conto era a investigação sobre a morte de alguém conhecido por dar golpes. Para resolver o fim da estória, gostei cada vez mais da noção que o investigador não fosse exatamente o mais moral dos homens.
   O conto em si seria puramente policial, realista, pé-no-chão, sem sobrenaturalidades, diferente da absoluta maioria dos textos que escrevi antes (vide meus livros e outros contos). A despeito disso, o personagem me lembrou de um coadjuvante de um conto sobrenatural, Mammon, de meu primeiro livro Histórias Estranhas. Era um policial que tentava "ganhar algum" em cima da misteriosa riqueza do protagonista. Chamei-o, à época, de Guerra. Achei interessante o inusitado crossover do real com o irreal e encontrei não apenas um nome para o meu anti-herói, mas uma motivação primordial: o amor pelo dinheiro.
   O Caso da Morte do Mutreta foi muito gostoso de escrever. Foi também muito gostoso de vê-lo na Lama, serializado como se fosse para um tabloide, e ilustrado com strips maravilhosas do Foca Cruz. Gostei muito do personagem e me ocorreu insistir no experimento. Até então, havia escrito estórias de terror, fantasia ou ficção científica, com muito suspense e mistério mas nada propriamente detetivesco. Também havia feito apenas uma tentativa de protagonista recorrente (o ainda inédito O Velho da Vela, uma continuação do conto Umbilical, também de Histórias Estranhas), e comecei a aventar a noção de um livro inteiro de contos policiais, todos com o mesmo detetive.
   O livro acabou por se tornar um laboratório de vários outros experimentos que buscava realizar. Em particular, pretendia replicar o mesmo ritmo dos escritores de outrora, que produziam textos para sobreviver, a serem consumidos serializados em periódicos, precisando então manter um ritmo em cada episódio/capítulo, com o ocasional final cliffhanger para atiçar a curiosidade e fazer o leitor querer a continuação. Essa produção comercial era feita de maneira muitas vezes formulaica, costumeiramente abusando de clichês, que ainda assim permitiam ainda ver a linguagem ou o estilo dos escritores que precisavam disso, gostando ou não.
   Algumas fórmulas eram batidas, replicando ad nauseam táticas bem sucedidas, ou normas ou mandamentos que poderiam até engessar o gênero, ou tornar uma história tão parecida com outra que podiam ser sem medo chamadas de pastiches.
   Eu buscava uma fórmula com estilo, então, para contos policiais despretensiosos, com um anti-herói ganancioso. Eu tentei fazer minha fórmula se ater à estrutura, e não ao conteúdo, ou seja, uma forma específica para contar histórias que podiam ter temas diferentes uns dos outros. Listei uma série de elementos que cada conto teria em comum com os outros, mas ao mesmo tempo, se sentia a vontade de violar as minhas próprias regras, o fazia sem medo.
   Não vou detalhar as regras, creio que será mais legal que o leitor interessado tente encontrá-las por conta própria.
   Iniciei hoje a revisão de um dos 12 contos que já escrevi, para um total de 135 páginas. Tenho planos para mais 4 ou 5, visando um livro tendo entre 150 e 200 páginas. Meus planos para publicação são os mesmos dos meus anteriores, se tudo der certo por autopublicação pela Bookess.