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28 de junho de 2010

A Persistência da Memória, de Dalí

Foto de jbparker (Flickr). Visite sua galeria para tamanhos maiores.

A obra mais famosa do pintor espanhol Salvador Dalí (1904-1989), La persistencia de la memoria é uma pintura de óleo em tela de 24 por 33 centímetros, completada em 1931, e uma das obras-primas do Surrealismo.

Os notórios elementos de relógios de bolso se derretendo surgem em meio a recorrências nas obras de Dalí: a paisagem em camadas sobrepostas de céu, mar e solo, quebrada apenas por montanhas ao fundo; a profusão de formigas, sobre o relógio à esquerda; e o rosto derretido e distorcido ao centro.

O quadro foi pintado quando Dalí notou dentre as sobras de um jantar algum queijo se derretendo. Havendo em sua obra um jogo entre conceitos próprios de "duro" e "mole", a cena o inspirou a representar o estado "mole" com os relógios derretendo como uma espécie de metamorfose, explorando o tema da passagem do tempo. A descrição de Dalí para o quadro (excêntrica como o artista sempre foi) é "nada mais do que o mole, extravagante, solitário, paranóico-crítico queijo Camembert do espaço e tempo". Seu método paranóico-crítico, definido por volta de 1930, envolvia a auto-indução de alucinações para criar arte. Uma de suas citações famosas é "a diferença entre um louco e eu é que não sou louco".

A interpretação geral é a de que o "tempo mole" e a decadente infestação de formigas indica um relaxamento do tempo, uma contrariedade ao determinismo, uma contestação à sua rigidez, uma expressão de impermanência. É o tempo conforme percebido pelas pessoas através da memória e do sonho, indicado pelo rosto derretido, uma representação "mole" do rosto do próprio Dalí.

O quadro faz parte da coleção do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque desde 1934. Do comentário do Museu, "dominando o que chamou de 'os truques paralizantes usuais de enganar os olhos', Dalí pintou esta obra com 'a mais imperialista fúria de precisão', mas apenas, disse ele, 'para sistematizar a confusão e assim ajudar a desacreditar completamente o mundo da realidade'. Há, entretanto, um menear de cabeça para o real: os distantes penhascos dourados são aqueles na costa da Catalunha, o lar de Dalí".

O pintor desconstruiria sua obra mais famosa em "A Desintegração  da Persistência da Memória", de 1954, inundando a paisagem e manifestando sua fase "científica" partindo-a em blocos elementares.

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