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28 de março de 2011

Fazendo uma Ficha Catalográfica

A Lei do Livro -- Lei nº. 10.753/2003 -- instituiu no seu art. 6º que "na editoração do livro, é obrigatória a adoção do Número Internacional Padronizado, bem como a ficha de catalogação para publicação" e, que "o número referido no caput deste artigo constará da quarta capa do livro impresso".

O Número Internacional Padronizado é melhor conhecido pelo termo em inglês, ISBN ou International Standard Book Number, gerenciado pela Agência Brasileira de ISBN, vinculada à Fundação Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro.

A ficha de catalogação para publicação, ou Ficha Catalográfica, tem suas origens nas fichas de papel dos catálogos de consulta de acervo de bibliotecas. As fichas eram criadas em cópias para serem colocadas nos livros e nos catálogos em gavetas. Havia tantas fichas quanto houvesse catálogos de busca: por título, por autor, por assunto. Convenções de padronização determinaram regras diversas, tal como qual entrada deve ser a primária ou como referir-se às informações da obra na ficha.

A Biblioteconomia é a área responsável por esse tipo de informação. No Brasil, a entidade mais frequentemente associada à catalogação é a Câmara Brasileira do Livro, que (justificadamente) cobra pelo serviço. Contudo, é possível para o próprio autor criar a Ficha. Não pretendo aqui ensinar como fazer Fichas Catalográficas de maneira exaustiva, mas sim reunir informações encontradas na Internet voltadas à elaboração de uma ficha para um livro de contos de um autor, que foi o meu caso. Tentarei aprimorar este pequeno guia se houverem dúvidas ou pedidos de esclarecimento.

A Ficha Catalográfica tem o seguinte aspecto:


A Ficha tem tamanho padrão de 7,5 cm de altura por 12,5 cm de largura. A linha cinza NÃO CONSTA da ficha, é apenas um indicativo da margem que deve existir para todo o conteúdo da ficha à direita da notação de autor.
    
    Notação de autor. Composta pela inicial do sobrenome do autor em maiúscula, seguida do número da Tabela de Cutter-Sanborn correspondente ao sobrenome do autor (o número anterior, se não houver coincidência), seguida da inicial do título em minúscula.
Atalhos para um gerador de número Cutter-Sanborn, uma tabela, e para o Dewey Cutter Program, um aplicativo para gerar o número.
    O nome do autor é grafado SEM RECUO, com sobrenome antes do nome, seguindo as regras para referências bibliográficas, apenas com as iniciais em maiúsculas, e separados por vírgula. Depois de outra vírgula, grafam-se os anos de nascimento e falecimento do autor separados por hífen. Se for autor vivo, consta apenas o ano de nascimento seguido de hífen.
    Recuo. Todas as linhas abaixo do nome do autor devem iniciar abaixo da 4ª letra do sobrenome. Usando uma fonte monoespaçada, isso equivale a dar três espaços antes das linhas.
    Folhas ou páginas. Cada folha tem duas páginas (frente e verso). Já é comum encontrar a indicação de páginas, que coincide com a numeração interna da obra.
    ISBN. Pode ser requerido pelo próprio autor após cadastro na Agência Brasileira de ISBN como Editor Pessoa Física, mas a maioria das editoras oferece o serviço mediante taxa.
    Título. Deve ficar a palavra “Título”, não deve ser substituída. Isto indica que o ponto de acesso primário é pelo título da obra.
    CDD e CDU. Números obtidos conforme a Classificação Decimal Dewey e a Classificação Decimal Universal.
    Para o CDD, utilize a classificação da Biblioteca Nacional, o dewey.info ou consulte os sumários na página da OCLC. O CDD é repetido nos Índices para Catálogo Sistemático, abaixo da Ficha, sem o “B” se houver.
    Para o CDU, utilize os sumários na página da UDCC, este livro ou guias como esteeste, este ou estas postagens.
 
Um livro de contos brasileiros fica com o assunto "1. Contos brasileiros. I. Título.", CDD B869.35 e CDU 821.134.3(81)-3.

18 de março de 2011

Rápida Lista de Editoras do Brasil

Impressio Librorum, Stradanus (1523-1605)
Pretendo fazer aqui uma classificação simples dos tipos de editoras e uma lista de companhias que se encaixam em cada tipo. Saliento que a classificação leva mais em conta o perfil geral do que métodos de impressão, a despeito de eu discuti-los em cada categoria.

- Editoras offset, mainstream, comerciais. Na impressão offset a tinta era originalmente transferida de uma placa previamente preparada para uma superfície de borracha, e desta para o papel. O método substituiu a prensa tipográfica como padrão industrial pela maior qualidade e eficiência. A produção pode imprimir no papel em folhas ou em rolos. O processo evoluiu operacionalmente mas o princípio permanece o mesmo, denunciando a sua principal desvantagem, um custo alto para a preparação, que torna a impressão viável apenas em grandes tiragens. O custo unitário em tiragens pequenas demais é proibitivo.
Assim, o desenvolvimento de uma plataforma de ampla divulgação e distribuição não apenas atendia às vendagens, mas também influía consideravelmente nos custos de produção, visto que o aumento da demanda permite o aumento da tiragem e consequente redução do custo unitário.
A difusão do processo digital, contudo, permitiu que a grande maioria das companhias se concentrasse em autores de renome, periódicos, ou em publicações didáticas ou técnico-científicas.
Nessa categoria se incluem a Nobel e a Rocco, duas que ainda aceitam originais de novos autores. Outros exemplos: 34, Abril, Ática, Atlas, Companhia das Letras, Ediouro, Escala, Europa, FTD, Globo, L&PM, Martins Fontes, Moderna, Nova Cultural, Objetiva, Record, Saraiva, Sextante, Scipione, Três.

- Editoras digitais, sob demanda, coparticipativas. A impressão digital envolve imprimir direto de uma impressora. Não há necessidade de preparação de placas. O custo unitário em grandes tiragens é muito grande se comparado ao tradicional offset, mas é o mesmo em pequenas tiragens, o que permite publicações de centenas, dezenas e até mesmo de uma só cópia de um livro. A difusão do processo permitiu às grandes editoras deixarem o segmento para um crescente mercado de pequenas editoras. A informalidade ainda permeia o segmento, com um perfil mais de serviço prestado a um cliente que deseja algo impresso. É exatamente isso que acontece: o autor entra com o capital e a empresa com os serviços, que podem incluir registros, criação de capa, ilustração, revisão, diagramação, e divulgação/venda na página da empresa ou em livrarias associadas. Algumas oferecem outro formato, em que o valor de venda do livro é dividido entre produção, empresa e autor. Ainda é perceptível que as pequenas editoras esgotam sua participação na produção do livro, não o acompanhando expressivamente na divulgação e distribuição.
Nessa categoria estão a 7Letras (RJ), Aberta (RJ), Alcance (RS), All Print (SP), Arm@zém Digital (RS), Balão Editorial, Baraúna (SP), Biografia (SP), Café&Lápis (MA), Casa do Novo Autor (SP), CBJE (RJ), Contexto (SP), Editar (MG), Epígrafe (RJ), Ética (MA), Ficções (SP), Flaneur (RJ), Gass (SP), HonorisCausa (PR), Ixtlan (SP), Juruá (PR), Litteris (RJ), Livre Expressão (RJ), LivroPronto (SP), Multifoco (RJ), Mutuus, Nelpa (SP), Novo Século (SP), Patuá (SP), PoloPrinter (SP), Schoba (SP), Scortecci (SP), Tarja, tmaisoito Editorama (SP), Usina de Letras (RJ), Virgília.

- Autopublicação, netbook. Serviços de autopublicação oferecem a hospedagem e disponibilização de um livro em formato digital e/ou impresso, conforme especificações do autor. O termo autopublicação refere-se à principal característica deste método, que é o de que a produção do livro é de total responsabilidade do autor, ainda que algumas companhias ofereçam serviços de editoração. A forma como isso é feito varia, mas geralmente é possível baixar o livro em formato PDF ou adquirir a versão impressa. Uma tendência interessante são os visualizadores ou leitores, programas que exibem o livro digital em tela como um livro físico, para ser lido de uma maneira mais tradicional, virando as páginas, ou para servir de uma previsão da versão impressa. Não há custo algum para o autor, sendo que a venda das versões digitais ou impressas paga produção, empresa e autor. Contudo, os custos de impressão são altos, sendo que uma expectativa de lucro real pode ser frustrada.
Os custos ainda mais altos no Brasil acabaram tornando viável que páginas estrangeiras fossem utilizadas por custo semelhante, ou seja, o custo de produção é inferior o suficiente para compensar o frete mais caro.
Incluo nessa categoria Agbook, Bookess, Clube de Autores, Liro, PerSe, e os estrangeiros Blurb, Bubok, CreateSpace, Issuu, Lulu e Tikatok.