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25 de setembro de 2010

Quanto vive o homem


A expectativa máxima de vida do homem é geralmente indicada como sendo de 100 anos. Mas a expectativa média, levando em conta os avanços médicos, costumes higiênicos e alimentares e outros fatores de cada época, oscilou mas cresceu ao longo da história:

ERA                                                         EXPECTATIVA MÉDIA
Paleolítico................................................33
Neolítico...................................................20
Era de Bronze/Ferro...............................35
Grécia Clássica.......................................28
Roma Clássica........................................28
América do Norte  Pré-Colombiana.....25-30
Califado Islâmico Medieval....................35+    
Bretanha Medieval...................................30      
Bretanha Moderna...................................40+      
Início do Século XX..................................30-45    
Média mundial atual.................................67.2

Fato curioso sobre a expectativa de vida média é que ela aumenta conforme a idade, logo os valores acima se referem à expectativa de vida no nascimento. Um homem do Paleolítico que alcançasse os 15 anos, por exemplo, poderia esperar viver até os 39.

Os 3 países com menor expectativa de vida são atualmente a Suazilândia (31 anos), Angola e Zâmbia (38 anos), todos no continente africano -- como quase todos os mais baixos, com exceção do Afeganistão. Os 3 países com maior expectativa de vida são o Japão, Islândia (82 anos) e Suíça (81 anos).


A pessoa de vida mais longa já documentada foi a francesa Jeanne Calment, com 122 anos e 164 dias. A pessoa viva mais velha atualmente é a também francesa Eugénie Blanchard, com 114 anos. Os brasileiros supercentenários -- termo para aqueles que ultrapassaram 100 anos -- não são reconhecidos pelo Gerontology Research Group, órgão internacional que o Livro de Recordes do Guinness aceita como autoridade para o registro de pessoas mais velhas. A lista inclui não só quem poderia ser a pessoa mais velha do mundo, Maria Olívia da Silva, com 130 anos, e a pessoa viva mais velha, Pedra Bento, com 121 anos.

22 de setembro de 2010

O conto "Planeta Asfalto"

Syd Mead
      Cada motorano nascia com uma marca peculiar entre os faróis da frente, que identificava a família original a que pertencia. Mesmo sem essa marca, era relativamente fácil identificar a descendência de um motorano ao analisar a forma de sua lataria. Apesar da grande polêmica, muitos diziam ser possível identificar alguns deles pelas capacidades inerentes à família, tais como potência maior do motor, maior aceleração ou velocidade final, maior capacidade de carga ou um melhor aproveitamento de combustível.
     Os motoranos menos privilegiados tinham que se contentar com seus itens originais e mantê-los sempre na melhor forma possível. Mas algumas famílias poderosas ou indivíduos ricos conseguiam pagar para seus filhos as melhores oficinas e aprimoramentos.
      Em seus primórdios, a sociedade motorana desenvolveu-se graças à força e capacidade de outros motorídeos para construir suas civilizações. Os grandes reboquinos e motorídeos tratores eram usados para cargas pesadas. As centomotivas carregavam muitas cargas com maior velocidade, percorrendo as trilhas que criavam. Diversos tipos de vacaminhões eram criados para ajudar na nutrição, pois consumiam óleos brutos impróprios para motoranos e os transformavam em combustível aproveitável. Barcarapaças que flutuavam nos mares serviram para percorrer suas distâncias e os motoranos conquistaram os céus usando os motorídeos voadores, ou aeros. Motóides e motociclinos, pequenos motorídeos de duas rodas, eram usados para guarda ou mantidos como motorídeos de estimação.
      Mas os motoranos não subjugaram apenas outros motorídeos. As ilhas quadradas cercadas pelo asfalto eram habitadas por uma raça de pequenas e débeis criaturas que buscavam refúgio nos grandes aglomerados de postes. Comunidades desta forma de vida frágil podiam se estender por várias ilhas, conectadas por túneis subterrâneos ou por passagens sobre as faixas de asfalto. Estes chamados “humanos” são seres preguiçosos e ignorantes por natureza; seus corpos são fracos e suas cabeças pequeninas, denotando baixo intelecto e pouco caráter. Com chances de sobreviver evidentemente ameaçadas, os humanos foram logo empregados pelos motoranos, a princípio para fins de entretenimento.


"Planeta Asfalto" é o décimo-terceiro conto do livro. A estória se passa em um futuro dominado por "motoranos", carros inteligentes, que reescreveram a história e noções naturais do planeta conforme o ponto de vista deles, tendo subjugado e escravizado os seres humanos.

A "nova história natural" que inicia o conto cria o ambiente para uma narrativa sobre crianças das duas raças: o motorano Max e o humano Júlio. A amizade conturbada dos dois sofre um abalo crítico, que culmina em um choque fundamental na relação entre o homem e suas criações. Todavia, o conto pretende ser desde o início uma exploração de diferenças de pontos de vista. Pretende ser um conto motorano, e não humano.

Gosto de brincadeiras de percepção em meus contos, ou seja, usar elementos que criem expectativas e depois subvertê-las, para denunciar os vícios e falhas na transformação de estímulos e impressões em conceitos. A mídia escrita é particularmente propícia para isso, pois além de permitir explorar a tendenciosidade psicológica de personagens -- e através deles, a dos leitores -- permite explorar também as limitações da linguagem, na forma como ideias e sentimentos são expressos e captados. Esse conto é um experimento nesse sentido, através do uso de uma premissa familiar com inversão de papéis.

O cenário a ser utilizado para explorar essa ideia ainda estava em aberto, até eu ler uma graphic novel excelente intitulada "Era Metalzóica" (Metalzoic, 1986), do roteirista Pat Mills e desenhista Kevin O'Neill, em que robôs têm formas e comportamentos animais como se fossem formas de vida naturais. A brincadeira com a evolução do mundo me instigou e criei um cenário próprio de "extrapolação da biônica", depois de ler um artigo sobre um "carro do futuro", repleto de sensores e controlado por um computador de bordo.

O título era originalmente "Asfalto", pois é como os motoranos chamam o elemento correspondente ao que dá nome ao nosso planeta, "Terra". Acatei a sugestão de minha namorada -- e maior contribuidora -- de adicionar "Planeta" para tornar a alusão mais clara.

Veja também este excelente artigo sobre visões de várias montadoras para veículos daqui a cinquenta anos. Desconfio dessas previsões: já é 2010 e nada de carros voadores!

20 de setembro de 2010

Os Beatles e o Tempo

O lendário Quarteto de Liverpool formado por John Lennon (1940-1980), Paul McCartney (1942-), George Harrison (1943-2001) e Ringo Starr (1940-) fez por merecer sua posição honrosa na história da música, graças à influência pervasiva sobre os que se seguiram, constituindo um verdadeiro marco da cultura moderna.

Esta é uma lista de canções da banda que trazem alusão ou referência relacionada ao Tempo, com comentários.

With The Beatles, 1963
  • It Won't Be Long ("Não Vai Demorar"). A espera melancólica e diuturna pelo amor na primeira música original gravada para o álbum, e também sua primeira faixa.
 Beatles For Sale, 1964
  • Eight Days a Week ("Oito Dias por Semana"). "Não tenho nada além de amor, nenê, oito dias por semana".
  • I'll Follow The Sun ("Eu Seguirei o Sol"). Um ultimato de um homem para a mulher que não lhe dá valor. "Um dia você vai olhar e ver que fui embora, porque amanhã pode chover, então eu seguirei o sol".
 Help!, 1965
  • The Night Before ("A Noite Anterior"). "O amor estava nos seus olhos, ah, na noite anterior. Mas hoje eu descubro que você mudou de ideia. Trate-me como tratou na noite anterior."
  • Yesterday ("Ontem"). "De repente eu não sou metade do homem que costumava ser, há uma sombra pairando sobre mim. Oh, ontem veio tão repentinamente."
Revolver, 1966
  • For No One ("Para Ninguém"). Um poderoso comentário sobre a decadência de uma relação amorosa, "um amor que deveria ter durado anos".
  • Good Day Sunshine ("Bom Dia Brilho do Sol"). Uma calorosa e alegre recepção ao dia.
  • Tomorrow Never Knows ("Amanhã Nunca Sabe"). Um experimento psicodélico que é tanto uma ode de desapego ao tempo como um experimento em compassos misturados em um só som.
Rubber Soul, 1966
  • What Goes On ("O Que Acontece"). "Eu encontrei você pela manhã esperando pelas marés do tempo, mas agora a maré está mudando, posso ver que estava cego."
 Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, 1967
  • A Day in the Life ("Um Dia na Vida"). Os trechos de Lennon são inspirados em artigos de jornais, enquanto os de McCartney são memórias de sua juventude. 
  • Getting Better ("Ficando Melhor"). Um diálogo contrastante entre as tristes confissões sobre o passado e o desejo otimista por um futuro melhor.
  • Good Morning Good Morning ("Bom Dia Bom Dia"). Um dia na vida de alguém acostumado a uma rotina disfuncional diária.
  • She's Leaving Home ("Ela Está Saindo de Casa"). Um lamento dos pais sobre a filha que foge de casa é também um comentário sobre os interesses descobertos por uma jovem que não é mais criança.
  • When I'm Sixty-Four ("Quando Eu Tiver Sessenta e Quatro"). Uma canção sobre envelhecer junto com a pessoa amada, trilha do Mar do Tempo no filme "O Submarino Amarelo" (1968).
Magical Mystery Tour, 1967
  • Blue Jay Way. A psicodelia que evoca a espera interminável foi composta enquanto Harrison esperava por um amigo que se atrasou.
  • The Fool on the Hill ("O Tolo na Colina"). "O tolo na colina vê o sol se pôr e os olhos na sua cabeça veem o mundo girar". Segundo McCartney, uma canção sobre "alguém como Maharishi", um dos gurus da banda.
The Beatles ou White Album, 1968
  • Birthday ("Aniversário"). A canção de aniversário é a única do álbum em que Lennon e McCartney compartilham o vocal principal.
  • Don't Pass Me By ("Não Me Deixe de Lado"). "Ouço o relógio tiquetaquear no parapeito da lareira, vejo os ponteiros se moverem, mas estou sozinho". A angústia da potencial rejeição amorosa na primeira composição de Ringo, cantada por ele. 
  • Good Night ("Boa Noite"). "Agora o sol desliga sua luz, boa noite, durma bem".
  • Helter Skelter. Segundo McCartney, ele quis conectar a ascensão e queda do Império Romano a um escorregador circular de parques de diversão de mesmo nome que a música.
Abbey Road, 1969
  • Here Comes The Sun ("Aí Vem o Sol"). Harrison escreveu a música quando fugiu dos negócios enfadonhos da Apple e de problemas de sua vida para a casa de Eric Clapton.

17 de setembro de 2010

Querido diário

Os diaristas ou escritores de diários são considerados hoje como documentadores de suas épocas, registrando seus cotidianos, fornecendo detalhes únicos sobre eventos históricos, trazendo informações sobre minúcias esquecidas e, principalmente, permitindo que as gerações futuras conheçam os costumes e formas de pensar de épocas passadas.

Registros escritos periódicos proliferaram assim que sistemas complexos exigiram maior organização na sociedade, o que ajudou a difundir a alfabetização, antes reservada apenas às esferas dominantes. Assim, registros governamentais, militares e financeiros evoluíram com os sistemas a que se referiam. Outro tipo de registro bastante frequente e popular eram os registros de viagem, incluindo relatos de emissários, mensageiros e diplomatas, anotações de caravanas e mercadores e diários de bordo de embarcações.

Mas há características para o que é considerado modernamente um diário -- entradas pessoais escritas em sequência cronológica e de periodicidade curta e regular (daí o nome diário) -- que remontam ao mais antigo registro particular, a obra intitulada "A Mim Mesmo" do imperador romano Marco Aurélio (121-180). Outros predecessores de diários incluem o gênero Zuihitsu, estilo de registrar incidentes diários inspirado principalmente por "O Livro de Travesseiro" (Makura no Sōshi, 1002) da cortesã japonesa Sei Shōnagon (966-1017); transcrições de visões e revelações das nuncas canonizadas Santa Elizabete de Schonau (1129-1165) e Santa Agnes Blannbekin (1244-1315); e, na Renascença, o "Diário de um Burguês de Paris" (Journal d'un bourgeois de Paris, 1449) de autoria anônima, e as confidências dos florentinos Buonaccorso Pitti e Gregorio Dati e do veneziano Marin Sanudo (1466-1536).

O primeiro diarista, alguém que mantinha diários com habitualidade e homogeneidade, foi o inglês Samuel Pepys (1633-1703), que paralelamente às suas atividades na Marinha e no Parlamento, manteve um diário de 1660 a 1669. Por quase dez anos, Pepys manteve um diário propriamente dito, um registro de cada dia de sua vida em Londres. A constância e detalhes do texto o tornaram fonte primária para o período da chamada Restauração Inglesa, conclusão das Guerras dos Três Reinos que restaurou as monarquias da Inglaterra, Escócia e Irlanda sob o Rei Carlos II em 1660. Eventos históricos abrangidos pelo diário de Pepys incluem a Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-1667) vencida pelos Países Baixos; a Grande Praga (1665-1666) que matou cerca de 100.000 pessoas, 20% da capital inglesa, de peste bubônica; e o Grande Incêndio de 1666, que iniciou em um forno de padaria e consumiu mais de 13.000 edificações, principalmente da área mais antiga de Londres, cercada por um muro da época dos romanos. O diário de Pepys foi publicado pela primeira vez em 1825. Menos conhecido mas igualmente importante é o contemporâneo de Pepys, John Evelyn (1620-1706), que inclusive apresentou um dos planos de reconstrução para a Londres incendiada.

A prática foi notada e outros diários foram publicados postumamente, como o Grasmere Journal de Dorothy Wordsworth (1771-1855), irmã do poeta inglês William Wordsworth, expoente do romantismo na Inglaterra com Samuel Taylor Coleridge, ambos retratados por ela; os diários da romancista inglesa Frances Burney (1752-1840), mantidos desde os dez anos, apesar de "edições" que fez quando adulta em retrospecto; e Henry Crabb Robinson (1775-1867), que conheceu ilustres alemães como Goethe e Schiller e foi correspondente das Guerras Napoleônicas.

A prática sobreviveu através dos anos até nossos tempos. Um dos diários mais famosos é o de Anne Frank (1929-1945), publicado originalmente como "Nos fundos do prédio" (Het Achterhuis, 1947) na língua holandesa, em que foi escrito. Os nazistas ocupavam os Países Baixos desde 1940. Anne começou o diário em um caderno que ganhou em seu 13º aniversário, no dia 12 de junho de 1942. No mês seguinte sua irmã Margot foi convocada para um campo de trabalho e a família resolveu esconder-se em salas secretas do prédio da companhia do pai Otto, em Amsterdã. O diário descreve a vida da família e de outras que se juntaram a eles nas salas escondidas, até a última entrada em 1 de agosto de 1944. Três dias depois um informante desconhecido entregou a localização das famílias, com Anne sobrevivendo a Auschwitz por já ter 15 anos, indo para Bergen-Belsen, onde ela e a irmã morreram de tifo em março de 1945. Seu diário é considerado um dos mais comoventes relatos sobre os efeitos da guerra na sociedade.

Personalidades bastante distintas figuram lado a lado como diaristas, em uma lista que inclui:
  • Adolfo Bioy Casares (1914-1999), escritor argentino
  • Lewis Carroll (1832-1898), escritor inglês
  • Kurt Cobain (1967-1994), cantor estadunidense
  • Aleister Crowley (1875-1947), místico inglês
  • Fyodor Dostoyevsky (1821-1881), escritor russo
  • Allen Ginsberg (1926-1997), poeta estadunidense
  • Joseph Goebbels (1897-1945), político nazista 
  • Ernesto "Che" Guevara (1928-1967), revolucionário argentino 
  • Carl Jung (1875-1961), psicólogo suíço
  • Franz Kafka (1883-1924), escritor tcheco
  • Søren Kierkegaard (1813-1855), filósofo dinamarquês 
  • Thomas Mann (1875-1955), escritor alemão 
  • Alanis Morissette (1974-), cantora canadense 
  • Anaïs Nin (1903-1977), escritora francesa 
  • Michael Palin (1943-), comediante inglês 
  • George Bernard Shaw (1856-1950), dramaturgo irlandês 
  • Leo Tolstoy (1828-1910), escritor russo 
  • Rainha Vitória do Reino Unido (1819-1901)
  • Richard Wagner (1813-1883), compositor alemão 
  • Andy Warhol (1928-1987), pintor estadunidense 
  • Virginia Woolf (1882-1941), escritora inglesa


No Brasil, há duas diaristas notáveis. A paulista Carolina Maria de Jesus (1915-1977) teve seu diário publicado como o livro "Quarto de Despejo" (1960), em que relatava sua vida na favela do Canindé, cujo sucesso permitiu-lhe uma carreira de escritora com outros 4 livros subsequentes. A outra é a mineira Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant (1880-1970), que manteve um diário sobre sua vida dos 13 aos 15 anos em Diamantina/MG, depois publicado como o livro "Minha Vida de Menina" (1942).


Sobre o tema veja também The Diary Junction, que contém informações e listas de mais de 500 diaristas.

16 de setembro de 2010

Nomes na noite (um poema)

Helena e Menelau - Louvre


Filtrando nossos espíritos por poros cósmicos
A noite faz sementes lançadas sibilantes à terra
Esperando que procriem em férteis campos
Onde suas sombras não podem chegar

Os ventos do tempo as colhem e acalentam
Forçando a brotar mas tentando derrubar
Abalando os alicerces de nossa fragilidade
Mas fazendo nossas sombras apenas bruxulear

Que os antigos nos deem nomes antigos
Palavras de poder vazio, cascas escritas
A nós resta preencher com nós mesmos
Grandes em nossa miniatura



Poema que dediquei à amiga Helena, cujo nome evoca grandezas maiores que o meu: a filha de Zeus e Leda era em sua época a mulher mais bela do mundo, que no ardil de Eris foi prometida por Afrodite ao frígio Paris, despertando o ódio dos gregos da rejeitada Hera, que vieram resgatar a bela, causando a maior guerra da antiguidade. 

O meu nome (inspirado pelo hotel homônimo ao lado do Banco do Brasil da Praça Tiradentes, em Curitiba) vem do Rei Eduardo VII do Reino Unido, conhecido como o "Tio da Europa" por seu parentesco com quase toda a realeza continental e como "Pacificador" pela paz firmada com a França e outros países, sucessor de Vitória e dando nome à Era Eduardiana.