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15 de outubro de 2010

Na folhinha


Nossos dias, meses e anos são definidos por um sistema de mais de 400 anos de idade, mas as origens remontam aos métodos mais primitivos de marcação de tempo.

Os chamados calendários helênicos eram lunares, querendo dizer que estabeleciam doze meses conforme as fases da lua. Como regra geral, o primeiro dia era de lua nova, chamado noumenia. Cada região da Grécia Antiga fragmentada tinha seu próprio calendário, variando desde os nomes para os meses até o mês em que o ano começava. São calendários helênicos o ático, o beócio, o cretense, o délfico, o epirótico, o lacedemônio, o macedônico, o rodiano e o siciliano.

Muito mais do que mera influência, Roma notoriamente emprestou muitos elementos de sua cultura dos gregos, incluindo o calendário helênico. Entretanto, o primeiro calendário romano não era lunar. O chamado calendário de Rômulo teria sido criado pelo lendário fundador da cidade por volta de 753 AEC, iniciando com o equinócio de primavera. Os meses eram Martius, Aprilis, Maius, Iunius, Quintilis, Sextilis, September, October, November, December. O ano tinha 304 anos, com cerca de 61 dias de inverno que não pertenciam a mês algum. Os meses tinham três datas usadas para contar os dias: a calenda era o primeiro dia do mês e correspondia à lua nova -- e dá nome ao termo "calendário" --, a nona correspondia à meia lua e o ido correspondia à lua cheia.

O calendário de Rômulo foi reformado pelo seu sucessor Numa Pompílio (753-673 AEC) que inseriu dois meses, Ianuarius e Februarius e os tornou o início do ano, dissociando os nomes dos meses de Quintilis a December de suas ordens. Os romanos consideravam números ímpares como sendo de bom agouro, então distribuíram os dias de modo que os meses tivessem 31 ou 29 dias, ficando apenas Februarius com 28, totalizando um ano de 355 dias. Para ajustar o calendário ao ano solar, periodicamente era inserido um mês adicional depois de Februarius chamado de Mercedonius.
O calendário romano foi reformado por Júlio César (100-44 AEC) no calendário juliano, que passou a valer a partir de 45 AEC. Com a colaboração do astrônomo Sosígenes de Alexandria, a adaptação conformou o calendário ao ano solar ou tropical, de 365 dias divididos em 12 meses, com um dia adicionado a Februarius a cada 4 anos. O calendário ainda é usado pela Igreja Ortodoxa, particularmente no Monte Athos, na Grécia, e pelos Berberes ou Imazighen do norte da África.

O calendário hoje aceito como padrão internacional é o chamado gregoriano, ocidental ou cristão. Quem o instituiu foi o Papa Gregório XIII (1502-1585) através da bula Inter gravissimas de 24 de fevereiro de 1582. O calendário visava fixar as datas necessárias para calcular a Páscoa, nominalmente: o equinócio de primavera mais próximo de 21 de março; o "14º dia da lua" durante ou depois deste equinócio corresponder à lua cheia efetiva; e o primeiro domingo que segue essa lua.

A Reforma Protestante foi o principal fator a atrasar a adoção do novo calendário. Muitos países ainda anotaram datas nos dois sistemas por anos. Hoje ele é usado praticamente no mundo inteiro, inclusive havendo o chamado calendário gregoriano proléptico, ou seja, o uso do sistema para datas anteriores à sua isntituição em 1582.

Assim, os nomes que usamos para os meses podem ser melhor explicados:
  1. Janeiro: Ianuarius, inserido por Numa Pompílio, ganhou o nome de Jano, o deus das portas, começos e términos, usualmente representado com dois rostos ou cabeças.
  2. Fevereiro: Februarius, inserido por Numa Pompílio, era o mês da Februa ou Februatio, ritual de purificação com água, talvez em associação às chuvas da primavera.
  3. Março: Martius era o primeiro mês do calendário de Rômulo, com o nome de Marte, o deus da guerra. Marcava o início da primavera e também das campanhas militares.
  4. Abril: Aprilis era o segundo mês do calendário de Rômulo com nome de origem incerta. Hipóteses incluem a palavra latina aprire, "abrir", em referências às flores que abriam no mês, ou como aphrilis denotando a dedicação do mês a Afrodite, deusa do amor e da beleza.
  5. Maio: Maius era o terceiro mês do calendário de Rômulo, com o nome devido ao festival da deusa greco-romana Maia que nele ocorria. Outra hipótese é de que o nome faz referência a maiores, ou anciões.
  6. Junho: Iunius era o quarto mês do calendário de Rômulo, com o nome da deusa romana Juno, correspondente à Hera grega, rainha dos deuses. Outra hipótese, associada à do mês anterior, é de que o nome faz referência aos iuniores, ou jovens.
  7. Julho: O quinto mês do calendário de Rômulo, Quintilis, foi renomeado Iulius após a morte de Júlio César Augusto (63 AEC-14 EC) em sua homenagem.
  8. Agosto: O sexto mês do calendário de Rômulo, Sextilis, foi renomeado Augustus após a morte de Júlio César Augusto (63 AEC-14 EC) em sua homenagem.
  9. Setembro: September, com nome devido a ser originalmente o sétimo mês do calendário de Rômulo.
  10. Outubro: October, com nome devido a ser originalmente o oitavo mês do calendário de Rômulo.
  11. Novembro: November, com nome devido a ser originalmente o nono mês do calendário de Rômulo.
  12. Dezembro: December, com nome devido a ser originalmente o décimo mês do calendário de Rômulo.

1 comentários:

Rodrigo Z

Nossa! esse é o cara mesmo, para explicar as coisas e descobrir os significados delas.
parabens pelo post! espero ver mais coisas interessantes de história e suas origens
abraços

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