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7 de junho de 2010

O tempo no lado negro do arco-íris


The Dark Side of the Moon é um dos álbuns mais influentes da banda inglesa Pink Floyd. O oitavo álbum da banda, lançado em 10 de março de 1973, é seu álbum mais bem vendido nos EUA, com estimadas 15 milhões de unidades vendidas rendendo-lhe 15 discos de platina pela RIAA - Recording Industry Association of America. O álbum The Wall apresenta 23 discos de platina mas é um álbum duplo, significando na verdade 11,5 milhões de unidades vendidas. Tendo Syd Barrett deixado a banda em 1968, o álbum contava com a formação de David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright, com Waters respondendo pelas letras. Na gravação trabalhou o engenheiro de áudio Alan Parsons, que ganharia tanta notoriedade quanto os membros da banda após o sucesso do álbum.

O título do álbum faz alusão ao lunatismo, e seus temas envolvem fatores que podem levar à loucura, como conflito, ganância, morte, e a passagem do tempo, melhor representada pela quarta música, "Time", cuja letra eu traduzo aqui:

Tique-taqueando embora os momentos que fazem um dia enfadonho
Você despedaça e desperdiça as horas de uma maneira desastrada
Matando tempo em um pedaço de terra na sua cidade natal
Esperando por alguém ou por algo para mostrar-lhe o caminho

Cansado de jazer sob o brilho do sol, ficar em casa para observar a chuva
Você é jovem e a vida é longa e há tempo para matar hoje
E então um dia você percebe dez anos ficaram atrás de você
Ninguém lhe disse quando correr, você perdeu o tiro de largada

E você corre e corre para tentar alcançar o sol, mas está afundando
E correndo ao redor para erguer-se atrás de você de novo
O sol é o mesmo de certa maneira, mas você está mais velho
E com fôlego mais curto e um dia mais próximo da morte

Cada ano está ficando mais curto, nunca parece encontrar o tempo
Planos que ou dão em nada ou meia página de linhas rabiscadas
Aguentando em desespero silencioso é o jeito inglês
O tempo se foi, a música terminou, achei que tinha algo mais a dizer


Por volta do ano de 1994, surgiu na Internet o rumor de que o álbum havia sido feito propositalmente para acompanhar as cenas do filme "O Mágico de Oz" de 1939. O filme, dirigido por Victor Fleming e estrelado por Judy Garland, é uma adaptação da obra "O Maravilhoso Mágico de Oz", de Lyman Frank Baum (1856-1919), publicada originalmente em 1900. A estória narra as aventuras de Dorothy e seu cãozinho após a casa onde estavam ser arrastada por um furacão para a terra fantástica de Oz. Dorothy buscam o Mágico de Oz para retornar para casa, e são acompanhados por um leão covarde, um espantalho e um lenhador de lata, cada um com seus próprios pedidos para o Mágico e todos com incrível disposição para dançar e cantar.

O filme compartilha algo da iniciativa de Baum de remover das estórias infantis a violência e o romance, mas os acontecimentos são apenas vagamente baseados nos do livro. A estória do filme difere pesadamente da original, as diferenças mais notáveis sendo que no filme Dorothy é muito mais vulnerável e delicada, duas bruxas boas viram uma, a malvada sobrevivente torna-se muito mais importante, e inventa o que talvez seja o ícone mais poderoso associado ao universo de Oz, os sapatinhos de rubi - que são de prata no livro. A música tema do filme, Over the Rainbow, cantada por Judy Garland, ganhou o Oscar de Melhor Música, foi considerada a música do século em lista da RIAA, e do American Film Institute.

A teoria de combinação das duas obras recebeu o nome de Dark Side of the Rainbow ou Dark Side of Oz ("Lado Negro do Arco-Íris" ou "Lado Negro de Oz"). A teoria versa que se a reprodução do álbum for iniciada exatamente quando o Leão da MGM dá o terceiro rugido antes do filme começar, a estrutura e mesmo teor das músicas do álbum terá associação com as cenas do filme. Desde que a teoria começou a circular, várias pessoas dedicaram-se a fazer a sincronia para procurar e listar coincidências. Algumas delas são tão notáveis que sozinhas podem ser suficientes para convencer que a teoria tem sentido; mas o volume de coincidências - ainda que tendenciosas - certamente contribui. Apesar de os proprietários dos direitos terem removido os melhores vídeos da Internet, ainda há alguns remanescentes. Recomendo também o artigo da Wikipédia, e o excelente artigo do blog de Igor Natusch que se aprofunda em algumas das maiores coincidências.

Os membros do Pink Floyd negaram qualquer influência do filme na criação do álbum, com Roger Waters dizendo que os rumores são "divertidos". A correlação percebida entre álbum e filme é apontada como um exemplo de sincronicidade, uma teoria que discutirei em ocasião oportuna.

1 comentários:

Carol

Meio creepy esse negócio. XD

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